sexta-feira, 26 de maio de 2017

DELATORES DA PÁTRIA

"Joesley Batista" e "Wesley Batista" não eram nomes tão conhecidos no Brasil. Nas últimas 24 horas, no entanto, muito provavelmente só perderam para "Michel Temer" e "Aécio Neves" em termos de popularidade no País. Autores da delação mais bombástica da Operação Lava Jato, os donos do frigorífico JBS cavaram um espaço na história ao revelar detalhes do esquema de corrupção mais impressionante da América do Sul.
Engana-se, contudo, quem pensa que esta é uma situação inédita na história do Brasil. Nos últimos anos, os grandes casos de corrupção do País só vieram à tona graças a revelações de figuras nem sempre tão conhecidas do grande público.
O delator abre a boca, a verdade aparece, e o curso da vida política nacional se altera de forma inevitável, quase que irreversível.
Não se lembra de outros casos? Então veja a lista abaixo, preparada pelo Jovem Pan Online.
Pedro Collor
Morto há 23 anos vítima de câncer, Pedro Affonso Collor de Mello era irmão de Fernando Affonso Collor de Mello, presidente da República entre 1990 e 1992. Foi Pedro, então comandante das empresas da família Collor em Alagoas, quem denunciou o esquema de corrupção que derrubou o presidente em 1992.
A denúncia de Pedro foi publicada na edição de 27 de maio de 1992 da Revista Veja. Em entrevista exclusiva ao jornalista Luís Costa Pinto, o irmão mais novo de Fernando revelou detalhes de um esquema de lavagem de dinheiro no exterior que envolvia o presidente e o tesoureiro Paulo Cesar Farias.
Chocante, o conteúdo da entrevista motivou forte comoção popular e resultou no impeachment de Collor, em dezembro de 1992 - apesar de ter perdido o cargo, Fernando foi absolvido pelo STF em 2014, por falta de provas.
Não se sabe exatamente o que motivou a denúncia de Pedro. Uma das versões diz que o principal alvo do ataque, na verdade, era PC Farias, sócio oculto de Fernando que estaria à frente de um projeto jornalístico que concorreria com os negócios de Pedro em Alagoas. A outra, por sua vez, afirma que o irmão mais novo agiu por ciúme de uma suposta relação de Fernando com Thereza, sua mulher.
Roberto Jefferson
Presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, 63, foi o delator do esquema de corrupção conhecido como mensalão. Tudo aconteceu em junho de 2005, durante o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. 
Então deputado federal pelo Rio de Janeiro, Jefferson denunciou a prática da compra de deputados federais pelo PT. A delação foi uma espécie de retaliação do líder do PTB, que tivera o nome envolvido em um escândalo de corrupção dos Correios.
O mensalão representou o início da derrocada do PT em âmbito nacional. Lula se enfraqueceu com a denúncia de Roberto Jefferson, e outros líderes do partido, como José Dirceu e José Genoíno, também perderam força política com o caso – ambos foram condenados e presos.
Jefferson, por sua vez, foi cassado e condenado a mais de dez anos de prisão em regime fechado – por ter sido o delator do esquema, o ex-deputado teve a pena reduzida para sete anos em regime semiaberto, a qual já foi perdoada pelo STF.
Alberto Youssef
O sucesso da Operação Lava Jato passa muito pelo nome do doleiro de 49 anos. Preso em março de 2014, ele foi um dos primeiros alvos da operação, que, à época, apurava a existência de uma quadrilha especializada em lavagem de dinheiro. 
A partir da delação de Youssef, em setembro de 2014, o leque da Lava Jato se abriu. Os investigadores encontraram ligações da empresa Costa Global, pertencente ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa, com os atos de lavagem de dinheiro promovidos por Youssef, e chegaram aos políticos.
A delação de Youssef é tida como ponto-chave da Lava Jato. O motivo? Foi graças a ela que os investigadores desvendaram o caminho usado por políticos e empresários para lavar dinheiro no exterior – as consequências deste caso estão em curso no País.
Ao assinar a delação premiada, Youssef ficou sujeito à pena máxima de cinco anos em regime fechado. Em 2015, o acordo foi revisto, e o doleiro ganhou o direito de ficar preso por três anos. Há menos de três meses, no entanto, ele passou para regime aberto – mas com a obrigatoriedade de usar uma tornozeleira eletrônica.
Joesley e Wesley Batista
Donos do frigorífico JBS, os irmãos Batista cavaram um espaço na história do País ao fazer a delação mais bombástica da Lava Jato. O presidente da República, Michel Temer (PMDB), e o senador Aécio Neves (PSDB) foram os principais alvos das revelações.
De acordo com os empresários, Temer deu aval para a compra do silêncio de Eduardo Cunha, enquanto Aécio pediu R$ 2 milhões para quitar as despesas referentes à sua defesa na Operação Lava Jato.
A delação, revelada em primeira mão pelo jornal O Globo, sacudiu os bastidores de Brasília. O STF autorizou a abertura de inquérito para investigar Temer, que, por sua vez, teve de vir a público para anunciar que não renunciaria ao cargo – mesmo não deixando a Presidência, ele agora se encontra no centro de uma das maiores crises políticas da história do País.
Aécio, por outro lado, foi afastado do cargo de senador, licenciou-se da presidência do PSDB e viu a sua irmã e primo serem presos pela Polícia Federal.
Tudo graças à delação dos irmãos Batista - que, pelo acordo assinado, não serão sequer denunciados criminalmente pelo Ministério Público Federal.
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