Três anos depois do 8/1, Brasil ainda não produziu
consenso em defesa da democracia
Paulinho da Força acusou Lula de “rasgar a bandeira da paz”
ao vetar o projeto que reduz as penas dos golpistas. Há dez anos, o deputado
tentou emplacar uma anistia para Eduardo Cunha. Agora está empenhado em livrar
Jair Bolsonaro e seus comparsas da cadeia.
O famigerado PL da Dosimetria foi aprovado com folga na
Câmara e no Senado. Além dos votos da extrema direita, contou com amplo apoio
do Centrão, que controla as duas Casas.
Lula pode ser criticado por muita coisa, inclusive por ter
usado o aniversário do 8 de Janeiro para fazer propaganda do governo. Mas seria
ridículo esperar que ele assinasse embaixo da manobra para libertar quem tentou
derrubá-lo.
Na cerimônia de ontem, o presidente afirmou
que a democracia “não é uma conquista inabalável” e deve ser defendida de
“velhos e novos candidatos a ditador”. Se isso virou discurso de esquerda, é de
se perguntar o que os ditos conservadores pretendem conservar.
A prisão de Bolsonaro ofereceu uma oportunidade para setores
da direita se descolarem do golpismo. Até aqui, a opção majoritária foi por se
acorrentar aos condenados. É perda de tempo esperar outra atitude do Centrão,
mais interessado em salvar o Banco Master do que em proteger a democracia.
Em vídeo divulgado ontem, Paulinho disse que “quem carrega a bandeira da paz não se curva ao autoritarismo”. As redes sociais aceitam tudo, mas o deputado deveria ter mais cuidado com as palavras. Os autoritários dessa história são os derrotados de 2022, que não aceitaram o resultado das urnas e tentaram usar a força para se perpetuar no poder.
Três anos depois do 8 de Janeiro, o país mostrou que ainda não foi capaz de produzir um consenso mínimo em defesa da legalidade e da soberania popular. Mau começo para um ano em que os brasileiros sairão de casa para eleger presidente, governadores e congressistas.

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