sábado, 15 de novembro de 2014

O JUÍZO FINAL NO PETROLÃO

Da Época
Na manhã da sexta-feira (14), Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, recebeu a visita de policiais federais em seu apartamento na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Duque vivia, oito meses depois, a mesma experiência de Paulo Roberto Costa, que fora seu colega na diretoria da Petrobras durante oito anos. Duque soube que era acusado de participar de um esquema de corrupção que grassou durante sua gestão na estatal. Saiu de casa conduzido pelos policiais, como o mais novo preso pela Operação Lava Jato, uma investigação sobre lavagem de dinheiro que atingiu o coração da maior estatal brasileira, das maiores empreiteiras e de três partidos políticos. Duque estava naquela situação porque fora delatado por Paulo Roberto. Como ele, diretores de oito empreiteiras foram procurados pelos policiais em cinco Estados e no Distrito Federal.  
A sétima fase da Lava Jato foi para a rua na sexta-feira, com 300 policiais federais e 50 auditores da Receita Federal. Por determinação do juiz federal Sergio Moro, a PF saiu às ruas para executar 85 mandados judiciais: seis de prisão preventiva, 21 de prisão temporária, nove de condução coercitiva e 49 de busca e apreensão. A Justiça ainda decretou o bloqueio de aproximadamente R$ 720 milhões em bens pertencentes a 36 investigados. Uma enormidade, só possível porque, meses atrás, premidos por provas irrefutáveis que os condenariam a uma vida no cárcere, Paulo Roberto e seu parceiro de negócios, o doleiro Alberto Youssef, aceitaram colaborar com a Justiça e contar tudo o que sabiam, viram ou fizeram num esquema que sorveu recursos da Petrobras para abastecer o caixa de PT, PP e PMDB e deu, de acordo com as denúncias, lucro a nove das maiores empreiteiras brasileiras.
Duque caiu em desgraça no mês passado, quando Paulo Roberto e Youssef disseram em seus (já) lendários depoimentos à Justiça Federal como funcionava o esquema. Naquele dia, Paulo Roberto abriu uma espécie de bueiro da corrupção na Petrobras. A Lava Jato começava a se transformar na Operação Limpa Fossa. Paulo Roberto contou que as diretorias controladas por PT, PP e PMDB cobravam propina de 3% sobre cada contrato celebrado pelas empreiteiras com a Petrobras. Desses 3%, 2 pontos percentuais iam para o PT, e 1 ponto percentual para o PP – isso na diretoria que ele comandava, de Abastecimento. No caso da Diretoria de Serviços, de Duque, Paulo Roberto não soube entrar em detalhes, mas deu a entender  que toda a propina era entregue ao PT. “Dentro da área de serviços, tinha o diretor (Renato) Duque, indicado na época pelo ministro da Casa Civil, José Dirceu”, disse Paulo Roberto. “Ele (Duque) tinha essa ligação com o João Vaccari dentro desse processo do PT.” Vaccari é secretário de finanças do PT.
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