Investigado em quatro inquéritos no Supremo Tribunal Federal
(STF) e réu em outras três ações penais, o senador Ivo Cassol (PP-RO) está
longe de ir para cadeia. Três anos e cinco meses após sua condenação na Ação
Penal 565, o parlamentar permanece solto e atuante no Senado Federal. Além
disso, ajudará a escolher o ministro que decidirá sua sentença, o substituto de
Teori Zavascki, falecido na última quinta-feira (19) em um desastre aéreo.
O parlamentar foi condenado pela Corte, em 2013, a 4 anos, 8
meses e 26 dias , em regime semiaberto, por fraude em licitações no período em
que era prefeito de Rolim de Moura (RO), entre 1998 e 2002. Também foi multado
em pouco mais de R$ 200 mil. A condenação ocorreu uma semana antes de o caso
prescrever. Apesar da condenação, o parlamentar entrou com embargo de
declaração, recurso previsto pelo regimento, e permanece livre. O
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já pediu ao Supremo que determine
o início do cumprimento da sentença.
Fato controverso, o congressista é um dos responsáveis pela
escolha de ministros da Suprema Corte, que são os responsáveis por julgar os
parlamentares em seus delitos. Pela Constituição, o presidente da República é
responsável por indicar ministros ao STF, e o Senado é responsável por referendar
a escolha, ou não.
Desde 2011 no Senado, Cassol já participou da votação de
cinco ministros: Luiz Fux, em fevereiro de 2011; Rosa Weber, em dezembro de
2011; Teori Zavascki, em outubro de 2012; Roberto Barroso, junho de 2013; e
Edson Fachin, em maio de 2015. Esse último já depois de ser condenado pelo
próprio Supremo.
Exercendo mandato, o senador também participou de decisões
importantes como o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em agosto de 2016,
quando votou a favor da cassação da presidente. ““Na vida privada de uma
pessoa, de um comerciante ou de um político, tem algo que jamais se pode perder
que se chama credibilidade”, justificou-se na ocasião em discurso no plenário.
No gabinete de Teori
A Ação Penal 565, em que o senador Ivo Cassol foi condenado,
estava parada no gabinete do ministro Teori Zavascki. Apesar de já ter
proferido voto contrário ao pedido do parlamentar, o ministro pediu vista para
rever sua posição durante o julgamento que analisava o recurso da defesa. A
relatora do caso é a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia.
O resultado estava em cinco votos contrários ao recurso e
cinco votos favoráveis. Com o pedido de vista do ministro, o resultado ficou em
cinco favoráveis e quatro contrários aos argumentos da defesa. Ainda que o
próximo ministro mantenha o voto contrário ao pedido do senador, o empate
favorecerá o réu e reduzirá sua pena para 4 anos de detenção, concedendo ao
senador a possibilidade de cumprir em regime aberto, com pagamento de multa e
medidas alternativas à prisão.
Com a morte do ministro Teori na última quinta-feira (19),
em desastre aéreo na região de Paraty (RJ), a ação deve permanecer parada no
gabinete até a posse de seu sucessor, que não tem previsão para ocorrer.
A estratégia dos advogados do parlamentar, com o embargo de
declaração, é diminuir a pena para pelo menos 4 anos. Tudo indica que a pena do
congressista cairá para 4 anos e o regime prisional passará a ser o aberto, com
substituição da pena privativa de liberdade por pena restritiva de direito
consistente na prestação de serviços à comunidade.
“Ivo foi injustamente condenado a pena de 4 anos e 8 meses
no regime semiaberto, nós entendemos que existem contradições que precisariam,
na pior das hipóteses, diminuir a pena”, defende o advogado Marcelo Leal, que
representa o senador.
Sem constrangimento
O parlamentar é réu em mais duas ações penais (562 e 891)
por calúnia e corrupção eleitoral. O ex-governador de Rondônia é alvo de outros
quatro inquéritos (3158, 2828, 3614, e 3820 ) por improbidade administrativa,
lavagem de dinheiro, crimes contra o sistema financeiro e contra a Lei de
Licitações e investigação penal.
A assessoria do senador afirmou ao Congresso em Foco que o
senador não se sente constrangido por fazer parte da escolha do magistrado que
julgará sua ação penal, já que não faz parte dos investigados na Lava Jato nem
é acusado de desvio de recursos ou superfaturamento.
“Ele não foi condenado por desvio de recurso e nem por
superfaturamento, foi por fragmentação de licitação. As contas foram aprovadas,
o dinheiro foi aplicado. Ele está sendo acusado por uma fragmentação que não
existiu. Tudo que tem contra ele não desabona sua conduta. Ele não está sendo
investigado na Lava Jato. Tudo que tem contra ele é por enfrentamento. É uma
grande injustiça essa condenação. Ele
vai ser enquadrado na ficha suja por um crime que não existe”, disse sua
assessoria.
Agropecuarista e empresário, Ivo Cassol é um dos três
representantes do estado de Rondônia na Casa. Antes de chegar ao Congresso, foi
prefeito de Rolim de Moura e governador por dois mandatos consecutivos. Caso
Cassol seja preso e perca o mandato, quem assumirá sua vaga será seu pai, o
primeiro suplente Reditário Cassol, que já o substituiu no Senado em algumas
ocasiões.

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