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sábado, 29 de abril de 2017

OS ROLOS DO GOVERNADOR

Da ISTOÉ
O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, quem diria, já integrou a ala dos éticos do PT. Ao menos, era como ele se autoproclamava. Quando eclodiu o escândalo do mensalão, o político mineiro logo se apresentou com um dos candidatos a “refundar” o partido. Como o próprio PT, que não teve pudores em trair seus ideais, Pimentel – e tudo a ele relacionado – não passou de uma grande ilusão. Hoje, chafurda na lama da corrupção como os principais dirigentes da legenda. Alvo de nada menos do que sete procedimentos criminais, sendo duas denúncias à espera de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para torná-lo réu, o petista é apontado como autor de crimes em mais três inquéritos e só não foi indiciado ainda por falta autorização do ministro-relator do caso no Superior Tribunal de Justiça, Herman Benjamin. A Polícia Federal aponta que o caixa dois do governador foi de R$ 19,6  milhões obtido por seis empresas, segundo documentos aos quais ISTOÉ teve acesso. A arrecadação oficial de Pimentel foi de R$ 53,4 milhões, de acordo com a Justiça Eleitoral. Ou seja, a polícia indica que 27% das receitas do petista foram contraídas ilegalmente. Para os agentes federais da Operação Acrônimo, há uma “organização criminosa coordenada e integrada por Fernando Damata Pimentel que, em razão de seu cargo, facilitou a atuação de outros integrantes do grupo criminoso”.
Financiamento
Nos três inquéritos, a PF pediu o indiciamento de Pimentel por corrupção passiva, caixa dois e lavagem de dinheiro. A mulher dele, Carolina Pimentel, foi indiciada pelos mesmos crimes, junto com o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, ex-coordenador da campanha do petista que fechou acordo de delação premiada com o Ministério Público. Outras 19 pessoas, entre empresários e pessoas ligadas Pimentel foram indiciados por crimes como falsidade ideológica, tráfico de influência ou caixa dois eleitoral. A Acrônimo foi deflagrada em maio de 2015 para investigar esquema de tráfico de influência para liberação de empréstimos do BNDES e esquema de lavagem de dinheiro em campanhas eleitorais envolvendo gráficas e agências de comunicação. O indiciamento significa certeza da autoridade policial de que há fatos para denúncia e processo.
De acordo com a PF, parte dos recursos era obtida com caixa dois feito quando empresas financiadoras – como Support Consultoria, Gontijo Transportt e Águia Branca (do grupo dono da Azul Linhas Aéreas) – e a CNI pagavam parte das despesas com gráficas da campanha ou forneciam recursos em espécie, muitas vezes com uso de notas frias. Empresários que não fecharam delação premiada confessaram que os acertos eram feitos com Pimentel e depois com Bené, algumas vezes em troca de não ter problemas futuros com o provável governador.
Num dos inquéritos, o dono da JHSF Participções, José Auriemo Neto, disse em sua delação que pagou R$ 1 milhão ao Vox Populi a fim de disfarçar o caixa dois. Afirmou que ainda repassou recursos em dinheiro vivo e gastou US$ 4.867 em estadia no hotel Las Piedras, em Punta de Leste, no Uruguai, para o governador, a primeira-dama, Bené e duas mulheres em março de 2014. O advogado de Pimentel, Eugênio Pacelli, adotou o mantra usual. Disse que seu cliente não pediu caixa dois a ninguém e que Bené tinha autonomia para atuar, mas legalmente. “Fernando Pimentel não pediu dinheiro de caixa 2, pediu doações”, afirmou. “Pimentel confiou que Bené faria seu papel.” O advogado de Carolina, Thiago Bouza, preferiu não comentar. O dono da Athalia Gráfica, João Batista Santos, afirmou que imprimiu mais de 1 milhão de apostilas para a CNI e pagou comissão de R$ 400 mil a Bené, emitindo nota fiscal. “Não tenho nada a ver com Pimentel. Eu e o cliente (CNI) não temos nada com isso.”
Agora, falta o Ministério Público decidir se denuncia Pimentel mais três vezes, arquiva os casos ou solicita mais apurações da PF – um dos relatórios está na Procuradoria Geral da República desde dezembro. Como se nota, o ex-ético não terá uma jornada fácil.
Todos os rolos do governador
Fernando Pimentel é alvo de duas denúncias do MPF e mais cinco
inquéritos policiais
Carros
Ação penal 836. PGR denunciou Pimentel por corrupção, porque haveria repasse de propina para a montadora obter benefícios tributários do governo
Odebrecht
Ação penal 843. PGR denunciou Pimentel e Marcelo Odebrecht por corrupção porque o petista teria recebido propina da empreiteira em troca “ingerência” na Câmara de Comércio Exterior (Camex) do governo federal em favor do empresário
Caixa dois
Inquérito na PGR à espera de denúncia desde dezembro. PF pediu indiciamento de Pimentel por receber R$ 19,6 milhões em caixa 2 em 2014 de várias empresas. A PGR precisa decidir se denuncia governador
Financiadoras
Inquérito na PGR à espera de denúncia desde março. PF pediu indiciamento de Pimentel por corrupção porque ele teria recebido propina e feito caixa 2 com apoio da mulher, Carolina Pimentel, e de uma rede empresas financiadoras de materiais gráficos e até dinheiro vivo
Aeroporto
Inquérito na PGR à espera de denúncia desde março. PF pede indiciamento de Pimentel porque teria recebido dinheiro em caixa 1, caixa 2, em espécie e em resort de luxo no Uruguai em troca de favorecimento à JHSF Participações em concessão de aeroporto
BNDES
Em apuração. Inquérito em que PF investiga se houve propina em troca de lobby que a mulher de Pimentel, Carolina Oliveira, teria feito no BNDES
Lobby
Em apuração. Inquérito em que PF investiga se houve propina em troca de lobby feito pela mulher de Pimentel, Carolina Oliveira, e por Danielle Fonteles, no governo federal
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