Sim, Bolsonaro sempre foi assim. Mas está a cada dia mais
Bolsonaro, menos presidente da República. A diferença é que nos 28 anos como
deputado federal, as barbaridades que dizia ou fazia poucas vezes eram levadas
a sério. Como quando elogiou o torturador Coronel Brilhante Ustra. Ou disse que
a deputada Maria do Rosário não merecia ser estuprada por ser feia.
Raramente seus arroubos autoritários tinham repercussão na
vida política do país, eram inócuos. Seu desassombro deixa de ser uma qualidade
quando coloca o país em situação embaraçosa diante do mundo civilizado, ou
defende teses que, na pessoa física, poderiam causar apenas revolta, mas, na
jurídica, criam crises políticas que vão se avolumando.
Cometeu a mesma afronta contra a ex-presidente do Chile,
Michele Bachelet, atual Delegada dos Direitos Humanos da ONU, que já cometera
anteriormente com o presidente da OAB Felipe Santa Cruz. Além da gravidade em
si, de desrespeito a líderes de instituições reconhecidamente representativas,
demonstra um desprezo alarmante pela vida humana.
Respondeu a críticas políticas não com argumentos e fatos,
mas com a apologia ao extermínio dos adversários de sua ideologia. No caso de
Bachelet, ainda demonstrou uma visão enviesada, pois creditou a seu pai uma
ideologia revolucionária que os historiadores negam.
Essa divisão rasa de amigos e adversários, que são todos
comunistas, assim como o PT tacha de direitistas os seus críticos, só demonstra
visão política deturpada, que torna impossível uma composição mais ampla com a
sociedade.
A inviabilidade de uma coalizão não restrita à direita
radical coloca o governo no isolamento interno, da mesma maneira que, no plano
externo, estamos nos tornando párias com os controversos posicionamentos sobre
o meio-ambiente e os direitos humanos.
Para os interesses políticos imediatos de Bolsonaro, o
isolamento no plano interno não é mau negócio, já que ele estimula o choque
contra o PT. Mas, no externo, traz prejuízos econômicos concretos e nos coloca
à margem do mundo ocidental, com exceção dos Estados Unidos. Suas atitudes cada
vez mais desabridas o levam a situações extremas com frequência. Quando recebeu
aquela desazada benção do bispo Macedo, da Igreja Universal, Bolsonaro chorou.
Recentemente, repetiu que às vezes acorda à noite,
angustiado, como já fizera anteriormente, ao lembrar-se da facada que levou na
campanha presidencial. O fantasma do drama vivido naqueles dias não abandona o
presidente que, como já escrevi aqui, pode estar sofrendo de Transtorno de
Estresse Pós-Traumático (TEPT), que ocorre em pessoas que sofrem situações com
risco de morrer.
Como decorrência do TEPT a literatura médica registra
transtornos de ansiedade, de humor, anorexia nervosa, paranóia, narcisismo.
Muitos desses fatores estão presentes no cotidiano de Bolsonaro. A paranóia vem
marcando a ação cotidiana do presidente. Os limites que lhe são impostos pela
democracia o estão irritando, descobriu que não pode tudo.
Ameaçou não passar a presidência para o vice-presidente
Hamilton Mourão enquanto estivesse no hospital, mas teve que recuar. Disse que
poderia deixar um interino na Procuradoria-Geral da República (PGR), mas vai
anunciar o substituto de Raquel Dodge nos próximos dias, alertado de que
poderia cometer um ato de improbidade administrativa se se omitisse.
Os permanentes atritos internos e externos podem ser
atribuídos a transtornos de humor. Descobriu que sua caneta Bic (que agora
abandonou por ser francesa) tinha muito poder. Anunciou em altos brados que
quem manda é ele, mais ninguém. Comparou-se ao Rei no jogo de xadrez. Disse que
elegeu sozinho boa parte do PSL, partido pelo qual disputou a eleição, e que
pode deixar a sigla a qualquer momento. Um narcisismo que cultiva cada vez
mais.
Ameaça ultrajante
O curta-metragem “Operação Lula Livre”, publicado no You Tube, é ultrajante. Propaganda vulgar pela libertação do ex-presidente, conta a história de um grupo guerrilheiro que sequestra a filha do ministro Sérgio Moro, no filme chamado de Mauro, para exigir a libertação de Lula.
O curta-metragem “Operação Lula Livre”, publicado no You Tube, é ultrajante. Propaganda vulgar pela libertação do ex-presidente, conta a história de um grupo guerrilheiro que sequestra a filha do ministro Sérgio Moro, no filme chamado de Mauro, para exigir a libertação de Lula.
O ex-presidente aparece no papel de bom moço, e manda soltar
a menina. Trata-se, segundo os autores, de ” uma elocubração fabulatória
relativa à progressiva iminência desta eventualidade histórica”. A Polícia
Federal está investigando, e os autores podem ser acusados de incentivo ao
crime.

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