Flávio Bolsonaro fez sua primeira homenagem a Adriano da
Nóbrega em 2003. Dois anos depois, mandou entregar uma medalha ao policial, que
estava preso por assassinato. Na mesma época, Jair fez um discurso na Câmara em
sua defesa.
As conexões entre o clã e o PM, hoje acusado de chefiar uma
milícia, são conhecidas há mais de uma década. A mulher de Adriano foi
contratada para trabalhar no gabinete de Flávio em 2007. Anos mais tarde, a mãe
também conseguiu uma vaga.
Se alguém ainda conseguia acreditar que era tudo
coincidência, as informações levantadas pelo Ministério Público estão aí para
mostrar que esses vínculos fazem parte da operação política da família. Quando
Bolsonaro se elegeu presidente, foi esse o grupo que chegou ao poder.
O suspeito de comandar uma milícia sanguinária no Rio era
praticamente um dos sócios da rachadinha que funcionava no gabinete de Flávio
na Assembleia Legislativa. Os promotores descobriram que uma parte do dinheiro
devolvido ao assessor Fabrício Queiroz, operador do esquema, passou por uma
conta bancária controlada por Adriano.
A mulher do ex-policial reconheceu a amigas que era
funcionária fantasma e repassou parte do salário a Queiroz. Numa troca de
mensagens, Adriano também indicou que recebia parte desse dinheiro público.
Danielle da Nóbrega ficou no gabinete de Flávio por 11 anos.
O clã não pode dizer que não sabia quem era o casal. Quando Bolsonaro preparava
sua última campanha, Queiroz procurou a mulher para dizer que ela poderia
perder o cargo. Contou que a família não queria correr riscos, dada sua relação
com o ex-policial.
O verniz anticorrupção de Sergio Moro ou o encanto liberal
de Paulo Guedes não ocultam esses laços. Outrora implacável, o ministro da
Justiça permanece apático, enquanto os fãs da equipe econômica preferem fingir
que só os números importam.
Mas é impossível fechar os olhos para o pacote completo. Só
há um governo. Nele, existem Jair, Flávio, Moro, Guedes, Queiroz, Adriano…

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