Donald Trump, quando quer insultar seu desafeto Jeff Bezos, dono da
Amazon e do jornal The Washington Post, chama-o de Jeff Bozo. Comparar alguém
ao famoso palhaço da televisão americana parece ser a suprema ofensa. Não por
acaso, é assim também que multidões de brasileiros se referem, sem cerimônia, a
um amigo de Trump: Jair Bolsonaro —o Bozo.
Mas será Trump tão amigo assim de Bolsonaro? Esta semana,
Trump aplicou em Bolsonaro e, consequentemente, no Brasil, mais uma bofetada na
área econômica. Em nova medida protecionista dos interesses americanos, sobretaxou
o aço brasileiro em 25%. Outras medidas recentes de Trump incluíram a
manutenção do embargo da carne
bovina brasileira nos EUA e não estar nem aí para a sonhada candidatura
do Brasil à OCDE. Preferiu apoiar a candidatura da Argentina.
Não adiantou também Bolsonaro importar
oceanos do etanol de Trump para lhe vender açúcar —Trump não comprou.
E foi olímpica a indiferença com que Trump recebeu de Bolsonaro a eliminação
da exigência
de visto para os americanos que queiram vir ao Brasil.
Embora Bolsonaro se diga íntimo de Trump e com livre entrada
na Casa Branca, é possível que Trump só consiga identificá-lo entre dezenas de
governantes do 2º time quando brifado por seu assessor em América Latina
—região esta que, para Trump, se resume ao México e, talvez, por causa do
petróleo, à Venezuela. Quanto a Bolsonaro transitar pela Casa Branca, só se
juntando a uma excursão de turistas.
Bolsonaro não ganhará nada em continuar salivando à simples
menção do nome Trump. Sempre que necessário, Trump ignorará essa sabujice
explícita e botará Bolsonaro simbolicamente em seu devido lugar, amarrado à
casinha no quintal. E não é impossível que, ao ouvir do assessor o nome
Bolsonaro, o próprio Trump —se se lembrar dele— também o chame de Bozo.
Ruy Castro
Jornalista e escritor, autor das biografias de Carmen
Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues.
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