Li em matéria da repórter Ana Estela de Souza Pinto que a
Áustria se prepara para levantar o isolamento social provocado pelo corona
vírus.
O interessante é que ao reconhecer que apresenta logo um
plano de retomada, ele fez várias advertências sobre a Páscoa, pedindo que as
pessoas não saíssem do isolamento para festejar.
Esse detalhe me impressiona muito pois se um dia for
escrever ou fazer um documentário sobre o corona vírus certamente darei um
destaque às festas: foram decisivas para a propagação do vírus.
O ponto mais importante dessa escalada seria certamente a
festa do Ano Novo Lunar Chinês. O New York times reconstruiu a viagens de Wuhan
nessa época e constatou que 175 mil pessoas deixaram a região onde o corona
vírus já se propagava rapidamente.
Leio também que chineses no exterior, sobretudo
trabalhadores na indústria da moda no norte da Itália, voltaram ao seu país
nesse período.
Ainda numa escala maior o carnaval em Nova Orleans, Luisiana
parece ter tido um papel importante na propagação do vírus naquele estado que,
em breve, corre o risco de tornar um novo epicentro nos EUA.
Aqui no Brasil, duas festas de noivado e casamento tiveram
também um papel decisivo. Uma foi em Itacaré na Bahia. Outra no Country Club do
Rio de Janeiro.
Com essa experiência nada melhor do que seguir o conselho do
Ministro da Saúde austríaco: nada de grandes celebrações.
Antes de sair de Fernando de Noronha, no dia 16 de março,
soube que uma equipe de vanguarda da presidência preparava uma viagem de Jair
Bolsonaro para passar a páscoa com a família na ilha.
Imagino que a viagem gorou. A ilha foi fechada ao turismo
três dias depois de nossa saída. Na semana seguinte, apareceu o primeiro caso
de corona vírus por lá: um funcionário do aeroporto, possivelmente contaminado
por turista.
Hoje já são sete casos em Fernando de Noronha. Não há nada
que celebrar por lá, pelo menos nas próximas semanas.

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