O isolamento político de Jair Bolsonaro não se reflete
apenas em derrotas no Congresso. O presidente também tem apanhado no Supremo, cada
vez mais acionado para conter seus desatinos na pandemia.
O capitão ameaçava derrubar medidas de governadores e
prefeitos para restringir a circulação de pessoas. Antes que ele assinasse o
decreto, o Supremo tirou a tinta da caneta. Na quarta-feira, o ministro
Alexandre de Moraes proibiu Bolsonaro de atropelar estados e municípios. Ele
ainda anotou que as divergências entre autoridades federais têm causado
“insegurança, intranquilidade e justificado receio” na sociedade.
Não foi a primeira derrota relevante do Planalto. Na semana
passada, o ministro Luís Roberto Barroso proibiu a Secom de torrar dinheiro
público numa propaganda com o slogan “O Brasil não pode parar”. Ele escreveu
que a campanha era “desinformativa”; não obedecia ao interesse público, deseducava
a população e poderia favorecer a propagação do vírus.
Fora dos autos, o Supremo também tem dado recados de que o
governo não pode tudo. O ministro Dias Toffoli, que às vezes parece um auxiliar
de Bolsonaro, fez questão de declarar apoio ao titular da Saúde, Luiz Henrique
Mandetta. O ministro Gilmar Mendes foi mais direto. “A Constituição não permite
que o presidente adote políticas genocidas”, afirmou.
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Para debochar do enfraquecimento de Bolsonaro, políticos da oposição passaram a chamá-lo de rainha da Inglaterra. É uma injustiça com Elizabeth II, que respeita a liturgia do cargo e não aluga os ouvidos dos súditos.
Para debochar do enfraquecimento de Bolsonaro, políticos da oposição passaram a chamá-lo de rainha da Inglaterra. É uma injustiça com Elizabeth II, que respeita a liturgia do cargo e não aluga os ouvidos dos súditos.
No domingo, a rainha interrompeu a programação da TV pela
quinta vez em 68 anos de reinado. Ela fez um agradecimento aos profissionais da
saúde, defendeu o isolamento social e pediu que os britânicos permaneçam em
casa para se proteger do coronavírus.
Bolsonaro acaba de fazer o quinto pronunciamento televisivo
em menos de um mês. Ele moderou o tom, mas insistiu em distorcer uma fala da
Organização Mundial da Saúde para torpedear a quarentena.

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