Dados de 1998 a 2022 mostram que candidatos da coligação
do governador têm muito mais chance
Desafio é não permitir que votos dos eleitores se diluam
entre muitos nomes de um mesmo grupo político
Na última semana, a disputa pelo Senado passou
a ocupar mais espaço no debate político. Seja pela pressão de alguns partidos
em busca de espaço nas chapas num ano em que estarão em disputa duas cadeiras
por estado, seja ainda pela indefinição sobre quem serão os candidatos em
alguns estados. A isso se soma o uso
abertamente eleitoreiro que o senador Alessandro Vieira fez do relatório da CPI
do Crime Organizado.
Ainda são poucas as pesquisas sobre as
chances dos pré-candidatos ao Senado. Mas os sinais de indefinição se
multiplicam. Os ex-governadores do Rio de Janeiro e do Distrito Federal, que se
desincompatibilizaram de seus cargos com o objetivo de disputar uma vaga ao
Senado, parecem ter desistido. Um pela insegurança jurídica, o outro para
evitar ter sua imagem ainda mais vinculada ao escândalo do Banco Master.
Em São Paulo,
por enquanto, apenas duas candidaturas são dadas como certas: as dos deputados
federais Guilherme
Derrite (PP)
e Ricardo
Salles (Novo).
Salles deve sair em candidatura independente, sem o apoio do
governador Tarcísio
de Freitas. A direita ainda pode lançar um segundo nome vinculado à
coligação de apoio do governador, mas aguarda que Jair e Eduardo
Bolsonaro unjam um candidato.
A esquerda, capitaneada pela candidatura ao governo estadual
de Fernando
Haddad, precisa decidir se sairá unida ou fragmentada. A federação Rede-PSOL anunciou
a deputada
federal e ex-ministra Marina Silva como pré-candidata, enquanto o PSB
trabalha com as pré-candidaturas dos ex-ministros
Simone Tebet e Márcio França.
A disputa para o Senado em 2026 pode se tornar uma armadilha
para os grupos que não se coordenarem, e essa armadilha tende a ser mais
perigosa para a oposição, que na maioria dos estados parte em desvantagem na
corrida pelo governo.
São escassos os estudos da ciência política dedicados à
competição pelo Senado. Diante dessa lacuna, convidei Miguel Lian e Cedric
Antunes, meus colegas do FGV Cepesp, para analisarmos os padrões de resultados
dessa disputa entre 1998 e 2022. Os resultados mostram que candidatos lançados
pela coligação do governador vencedor têm uma vantagem expressiva: sua
probabilidade de eleição é cerca de 53 pontos percentuais maior do que a de
candidatos que concorrem fora desse campo. Nos anos em que há duas vagas em disputa,
a coligação do governador elege ao menos um senador em metade dos casos e
conquista as duas cadeiras em 29% das eleições.
À luz desses resultados, em estados como São Paulo,
onde o governador que disputa a reeleição larga em posição muito favorável, a
eleição para o Senado pode funcionar como uma disputa por apenas uma vaga
efetivamente aberta. Uma das cadeiras tende a gravitar em torno da coligação do
governador. A outra dependerá tanto das estratégias de campanha quanto da
capacidade de coordenação interna entre os grupos políticos.
A lógica da disputa para o Senado não premia a diversidade
de candidaturas. Premia a concentração de votos. O desafio é não permitir que
os votos dos eleitores se diluam entre muitos nomes de um mesmo grupo político.
A escolha deve ser entre coordenar-se, reduzir o número de
candidaturas e somar forças, ou dividir os votos e entregar a cadeira aos seus
adversários.

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