Atropelado por pesquisas amargas, o governo demitiu o
presidente do INSS e atribuiu a iniciativa à lentidão do instituto para reduzir
o tamanho da fila de segurados que esperam pelo atendimento de seus pleitos.
Contem outra, doutores. Em 2023, quando Lula chegou ao
Planalto, a fila era de 1,2 milhão de pessoas, e o presidente chamou-a de
“vergonhosa”. Em março passado, ela tinha 2,8 milhões de vítimas.
As pesquisas estão amargas porque o governo não tem uma
marca e, para piorar, é ruim de gestão. No caso da fila do INSS, esse defeito
da máquina atinge sobretudo o andar de baixo. Estimando que cada segurado
irradie seu descontentamento a outras três pessoas, a inépcia atingiu mais de 8
milhões. Durante todo o Lula 3.0 não houve um só dia em que ficou abaixo da
“vergonhosa” marca deixada por Bolsonaro. Tudo que o governo ofereceu foram
promessas descumpridas.
A primeira delas veio do então ministro
Carlos Lupi, prometendo um mutirão para reduzi-la. Com seu palavrório, Lupi
disse:
— Estamos criando uma rede integrada para garantir a
cidadania de mais de 37 milhões de beneficiários da Previdência. E os
sindicatos são parceiros essenciais, pois estão na ponta dialogando e
auxiliando os trabalhadores que contribuem para ter a proteção social.
Alguns poucos sindicatos foram “parceiros essenciais” para
roubar os aposentados com descontos fraudulentos.
Passados alguns meses, sumiram 224 mil pessoas da fila. Era
um truque estatístico, e culparam-se as vítimas. Os segurados que recorriam de
uma negativa formariam uma segunda fila. Falso: se as duas filas fossem
somadas, o que seria impróprio, a fila única seria de 3,28 milhões.
Em novembro de 2023 foi criado um programa milagroso, o
PEFPS, ou Programa de Enfrentamento à Fila da Previdência Social. Os números
mostram que, no ano do enfrentamento, a fila cresceu com cerca de 800 mil
segurados, para 2,3 milhões de vítimas.
A má gestão da fila foi produzida por uma mistura de
onipotência com descaso. O descaso é um velho problema da burocracia. Se a
Bolsa cai, afetando o andar de cima, o governo se mobiliza. Se a fila do INSS
dobra de tamanho, é falta de sorte das vítimas. Pela sabedoria convencional,
elas fazem parte de um tradicional eleitorado cativo de Lula e do PT. Engano, e
as pesquisas mostram isso.
Até a tabulação das pesquisas, o problema da fila do INSS
foi assunto do andar de baixo. Não há hierarcas de Brasília nessa fila.
Lula completou três anos de governo com a inépcia mostrando
seu rosto. Ao fim de 2023, o número era ruim, mas não assustava, pois, de 1,2
milhão, ela cresceu para 1,6 milhão — 2025 foi o ano da ruína, pois ela chegou
a 2,3 milhões de segurados.
A troca do presidente do INSS a seis meses da eleição é pura
marquetagem para dar a impressão de que o governo olha para o vergonhoso
problema. Tripudiando sobre o burocrata demitido, o ministro da Previdência,
Wolney Queiroz, foi cruel:
— Ele não atacou o problema central da fila. A fila estava
escalando, estava aumentando, sem controle.
Fica combinado assim.
Se até outubro o governo conseguir o melhor resultado de seu
mandarinato, ela continuará acima da marca de 1,5 milhão de vítimas.

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