A explicação do deputado que passou porquatro partidos em um mês
Campeão do troca-troca, Nelsinho Padovani escolheu sigla na última hora do prazo legal
Um em cada quatro deputados usou a janela partidária para
mudar de legenda. O campeão do troca-troca foi o ruralista Nelsinho Padovani,
do Paraná. Em 30 dias, ele mudou três vezes de sigla. Começou no União Brasil,
migrou para o PL, passou pelo Republicanos e estacionou no PP.
“Foi uma acomodação política”, explica o parlamentar. Ele
está contrariado com jornalistas que só acompanharam sua peregrinação até a
penúltima parada, no Republicanos. “Não mudei duas vezes de partido. Mudei
três”, esclarece.
O destino de Padovani foi selado
literalmente na última hora. O prazo para mudar de sigla sem perder o mandato
terminava às 23h59 do dia 3. “Eu estava tranquilo, era Sexta-Feira da Paixão.
Mas me ligaram tanto que resolvi mudar de novo às 23h”, conta.
As ligações, diz o deputado, partiram de aliados no Paraná.
O mandachuva do PP no estado é o deputado Ricardo Barros. Tesoureiro nacional
da sigla, ele administra um dos maiores caixas partidários do país.
“Minha mudança não tem nada a ver com fundo eleitoral”,
disse Padovani, antes que eu mencionasse o assunto. “Sei que me elegeria por
qualquer partido, mas não sou candidato à reeleição. Quis garantir um espaço
mais confortável para somar na chapa majoritária”, informou.
O deputado não se surpreendeu quando o conterrâneo Ratinho
Junior desistiu da corrida ao Planalto. “Ele é um baita governador, um menino
de ouro. Mas o Flávio Bolsonaro terá 80% dos votos no Paraná”, sentencia.
Padovani promete apoiar o filho do capitão, mas ainda não
definiu seu candidato a governador. Diz que pode apoiar o escolhido por Ratinho
ou o senador Sergio Moro, recém-filiado ao PL. “Vou esperar a decisão do meu
grupo”, afirma.
O ruralista se apresenta nas redes como “defensor do
agricultor e da propriedade privada”. Nelson Padovani, o pai, foi deputado por
dois mandatos. Nelsinho Padovani, o filho, já prepara o herdeiro de 24 anos
como sucessor. “Ele é o mais político da família”, orgulha-se. “Só não será
candidato agora porque não quer.”
Para o campeão do troca-troca, os políticos não deveriam ser
julgados pelas mudanças de partido. “Estamos tentando sobreviver nesse
emaranhado de siglinhas”, justifica.

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