Por Pedro Marcondes de Moura, ISTOÉ
O escândalo do Metrô, denunciado inicialmente como cartel de
empresas em contratos com o Metrô paulista e a Companhia Paulista de Trens
Metropolitanos (CPTM), transformou-se em uma investigação de corrupção
envolvendo políticos. Ao remeter o caso ao STF, a Justiça Federal entendeu que
há indícios veementes de envolvimento de deputados federais – detentores de
foro privilegiado – com a máfia responsável por lesar os cofres paulistas nas
gestões tucanas à frente do Estado.
Na prática, isso significa que parlamentares podem ser
denunciados e virarem réus no STF por corrupção. Caberá à ministra Rosa Weber,
escolhida como relatora, autorizar ou não a abertura formal da investigação
contra os políticos. A decisão, tomada a pedido da Polícia Federal, deve-se a
depoimentos prestados pelo ex-dirigente da Siemens Everton Rheinheimer.
Neles o executivo aponta que o parlamentar Arnaldo Jardim
(PPS) e o secretário estadual da Casa Civil e deputado federal licenciado Edson
Aparecido (PSDB) receberam propina. Everton diz ainda que os secretários
paulistas e congressistas licenciados Rodrigo Garcia (DEM) e José Aníbal (PSDB)
mantinham relações com o lobista Arthur Teixeira. Todos negam as acusações. Em
julho, ISTOÉ publicou, com exclusividade, denúncias do executivo sobre o
envolvimento de políticos tucanos na fraude dos trens.
O encaminhamento do caso ao STF, no entanto, não pode
retardar o andamento do grave e rumoroso caso. Principalmente por envolver
autoridades no exercício do mandato e secretários de Estado, que ainda são
capazes de influir na área de transporte sobre trilhos em São Paulo – cujas
licitações estão sob suspeita.
Centralizado no STF e na Procuradoria-Geral da República, o
inquérito deve ficar parado pelo menos até o Supremo voltar do recesso, em
fevereiro. Promotores e procuradores da força-tarefa que investiga o escândalo
estão preocupados.
Fontes ouvidas por ISTOÉ dizem que eles já suspenderam
oitivas e diligências e não podem nem manusear o material recolhido pelo Cade
em busca e apreensão feita em maio nas sedes de empresas do cartel. “O atraso
nas investigações pode levar até mesmo à prescrição de delitos, como o de
formação de cartel”, lamenta uma fonte ligada à apuração do caso.
Ao decidir não desmembrar o inquérito, o juiz retirou a
competência deles de apurar criminalmente a conduta de empresas, políticos sem
foro e agentes públicos.

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