Mesmo com a galeria do plenário repleta de estudantes do
ensino fundamental que acompanhavam a sessão da Câmara desta quinta-feira (5),
o deputado Sebastião Bala Rocha (SDD-AP) e o líder do governo na Casa, Arlindo
Chinaglia (PT-SP), trocaram insultos nos microfones.
"Quando eu fiz uma acusação de fraude do seu Estado
vossa excelência agiu de forma desleal... eu vou procurar este discurso e vou
reapresentar... Só tenho a dizer uma coisa: graças a minha formação, nunca fui
algemado na minha vida", disparou Chinaglia, fazendo referência ao fato de
Bala Rocha ter sido algemado em 2004, durante operação Pororoca, da Polícia
Federal.
Bala Rocha subiu o tom: "Eu fui injustiçado seu filho
da puta". O microfone foi cortado e ele começou a gritar insultos ao líder
do governo. Os dois ficaram se encarando, mas foram separados por colegas.
A confusão começou quando os deputados discutiam um projeto
de Decreto Legislativo que firma medidas de cooperação entre Brasil e França
contra exploração ilegal de ouro em zonas protegidas. Bala Rocha derrubou a
votação da matéria, irritando o colega.
Ao orientar a votação, Chinaglia informou que a deputada
Dalva Figueiredo (PT-AP) disse que o ministro Gilberto Carvalho
(Secretaria-Geral da Presidência) costurou um acordo sobre o projeto. O petista
foi interrompido pelo deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) dizendo que o acordo do
ministro foi com a bancada do Amapá e não só com a bancada do PT.
Chinaglia corrigiu Alencar. "Deputado Chico Alencar: eu
não disse que o acordo foi com a bancada do PT. Eu disse que a reunião com
Carvalho foi a deputada Dalva que relatou. Mas eu tenho visto outros deputados
querendo se apoderar do acordo coletivo", disse.
Bala Rocha reagiu: "Como ele jogou indireta... eu não
estou me apoderando de nada. Fui relator, conheço a matéria e agi com
responsabilidade o tempo todo. Vou obstruir. Peço verificação."
Com o mal-estar, líderes do DEM, PPS e até PMDB pediram que
a votação fosse adiada. Após o episódio, Bala Rocha pediu que a Câmara retire
os palavrões dos registros da Casa.
Em conversa com jornalistas, Chinaglia afirmou que citou o
caso das algemas porque o colega já tinha extrapolado todos os limites.
Questionado se pretende levar Bala Rocha ao Conselho de Ética, o petista disse
que "tende a perdoar".
Do UOL, em Brasília

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