Por Cilene Victor
Tive a sorte de não acompanhar o babado, ops, a exploração
do episódio da banana.
Vivemos no auge da alienação, da manipulação das massas e do
uso do simbolismo para combater forças reais.
Não queria perder o meu tempo com o assunto, mas ontem, ao
ler o editorial da Folha sobre o episódio, percebi que o problema é muito maior
do que imaginava.
Estamos no mundo da telenovela, dos enredos de filmes
baratos, onde o mal é representado pelos olhos esbugalhados, veias saltadas e o
bem pela voz suave e pelo incansável desejo de convencer o mal a mudar de lado.
Tive vergonha daquele editorial, tive vergonha de ver
pessoas comemorando o simbolismo como forma de combate a um crime de ódio (algo
como o beijo gay da novela).
Isso tudo me fez lembrar de um adesivo estúpido, lançado há
alguns anos por uma emissora de Rádio, que dizia: "Eu já fui
assaltado".
O trânsito da cidade ficou lotado de carros com esse
adesivo. E?
Lembrei-me também da atriz Carolina Ferraz em uma campanha
social, usando uma camiseta do bem, logo após ter vomitado seu preconceito em
uma entrevista sobre a entrada de empregada domésticas pelo elevador social.
Racismo é crime e deve ser combatido como tal. O racista
deve ser julgado e deve cumprir a sua pena, que aí sim poderia ser de caráter
educativo, mas crime não se combate com camiseta nem com celebridades - na sua
maioria empregadores de empregadas negras, moradoras de morros, mas que ganham
no Natal uma Louis Vuitton. Pior do que ganhar uma bolsa cara é ter de
participar de um programa de TV e seguir o roteiro para endeusar a patroa:
"ela é bacana, super humana, só me dá presente de grife"!
Não, não somos todos macacos, somos todos imbecis!
Ou estamos tomando absinto demais?
Cilene Victor, professora de jornalismo na Faculdade Cásper
Líbero e comentarista do Jornal da Cultura.

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