sexta-feira, 2 de maio de 2014

BANANA, ALIENAÇÃO E ABSINTO

Tive a sorte de não acompanhar o babado, ops, a exploração do episódio da banana.
Vivemos no auge da alienação, da manipulação das massas e do uso do simbolismo para combater forças reais.
Não queria perder o meu tempo com o assunto, mas ontem, ao ler o editorial da Folha sobre o episódio, percebi que o problema é muito maior do que imaginava.
Estamos no mundo da telenovela, dos enredos de filmes baratos, onde o mal é representado pelos olhos esbugalhados, veias saltadas e o bem pela voz suave e pelo incansável desejo de convencer o mal a mudar de lado.
Tive vergonha daquele editorial, tive vergonha de ver pessoas comemorando o simbolismo como forma de combate a um crime de ódio (algo como o beijo gay da novela).
Isso tudo me fez lembrar de um adesivo estúpido, lançado há alguns anos por uma emissora de Rádio, que dizia: "Eu já fui assaltado".
O trânsito da cidade ficou lotado de carros com esse adesivo. E?
Lembrei-me também da atriz Carolina Ferraz em uma campanha social, usando uma camiseta do bem, logo após ter vomitado seu preconceito em uma entrevista sobre a entrada de empregada domésticas pelo elevador social.
Racismo é crime e deve ser combatido como tal. O racista deve ser julgado e deve cumprir a sua pena, que aí sim poderia ser de caráter educativo, mas crime não se combate com camiseta nem com celebridades - na sua maioria empregadores de empregadas negras, moradoras de morros, mas que ganham no Natal uma Louis Vuitton. Pior do que ganhar uma bolsa cara é ter de participar de um programa de TV e seguir o roteiro para endeusar a patroa: "ela é bacana, super humana, só me dá presente de grife"!
Não, não somos todos macacos, somos todos imbecis!
Ou estamos tomando absinto demais?
Cilene Victor, professora de jornalismo na Faculdade Cásper Líbero e comentarista do Jornal da Cultura.
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