Por Alberto Bombig, com Leopoldo Mateus, Diego Escosteguy e
Leandro Loyola, da Veja
Parece que foi há muito tempo, numa galáxia muito, muito
distante. Com a popularidade nas alturas, a presidente Dilma Rousseff caminhava
para uma reeleição tranquila. O PT completaria 16 anos no poder – um verdadeiro
“império da estrela”. Isso foi antes das manifestações de junho passado e de
uma sucessão de erros do governo. Agora, Dilma enfrenta a pior crise de seu
mandato: denúncias contra a Petrobras, rebelião na base aliada e guerra interna
do PT em torno do movimento “Volta, Lula!”. Pior: seus adversários em outubro,
os pré-candidatos Aécio Neves e Eduardo Campos, dão sinais de que podem escalar
as pesquisas com a leveza de cavaleiros Jedis, enquanto a popularidade de Dilma
despenca como um Jabba the Hutt encosta abaixo.
Nesta semana, o império da estrela resolveu contra-atacar.
No Encontro Nacional do PT, nesta sexta-feira (2), os guerreiros do partido
começaram a acender seus sabres de luz. O presidente da sigla, Rui Falcão, deu
o tom – a partir de agora, será “nós contra eles”. Com um único golpe, Falcão
atingiu os dois adversários. “Se é preciso repelir o retrocesso (PSDB), também
é fundamental desmascarar os que
prometem uma nova
política. A proposta do ex-governador nordestino (Eduardo Campos-PSB) de uma inflação
anual de 3% pode
provocar uma elevação
de até 60%
na taxa de desemprego. Ele busca reembalar sua imagem
com tinturas e sabores exóticos. Cuidado! Porque misturar tapioca
com açaí pode
causar indigestão”, disse.
O discurso do orador Rui Falcão foi escrito sob medida para
dissipar o clamor “Volta, Lula!”: “A partir de agora, toda a nossa energia se
concentrará no objetivo central do PT: a reeleição de Dilma. Com ela, nas
lutas, na vida e na campanha, está o companheiro Lula, presidente de honra do
PT e a maior liderança que o povo brasileiro já produziu”. O evento, na Zona
Norte de São Paulo, reuniu 5 mil delegados que terão a missão de definir as
diretrizes do programa de governo e a tática eleitoral do PT para as eleições.
A intenção, nas palavras dos dirigentes, era “esfregar sangue no rosto da
militância para que todos saiam em defesa de Dilma e do PT”. Como vem ocorrendo
ao longo da história petista, quando se sente acuado, o PT parte para cima dos
adversários e aposta no velho “nós contra eles”.

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