segunda-feira, 5 de maio de 2014

DILMA VAI À GUERRA

Por Alberto Bombig, com Leopoldo Mateus, Diego Escosteguy e Leandro Loyola, da Veja
Parece que foi há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante. Com a popularidade nas alturas, a presidente Dilma Rousseff caminhava para uma reeleição tranquila. O PT completaria 16 anos no poder – um verdadeiro “império da estrela”. Isso foi antes das manifestações de junho passado e de uma sucessão de erros do governo. Agora, Dilma enfrenta a pior crise de seu mandato: denúncias contra a Petrobras, rebelião na base aliada e guerra interna do PT em torno do movimento “Volta, Lula!”. Pior: seus adversários em outubro, os pré-candidatos Aécio Neves e Eduardo Campos, dão sinais de que podem escalar as pesquisas com a leveza de cavaleiros Jedis, enquanto a popularidade de Dilma despenca como um Jabba the Hutt encosta abaixo.
Nesta semana, o império da estrela resolveu contra-atacar. No Encontro Nacional do PT, nesta sex­ta-feira (2), os guerreiros do partido começaram a acender seus sabres de luz. O presidente da sigla, Rui Falcão, deu o tom – a partir de agora, será “nós contra eles”. Com um único golpe, Falcão atingiu os dois adversários. “Se é preciso repelir o retrocesso (PSDB), também é fundamental desmascarar os que  prometem  uma  nova  política. A proposta  do  ex-­governador  nordestino (Eduardo Campos-PSB)  de  uma  inflação  anual  de  3% pode  provocar  uma  elevação  de  até  60%  na  taxa  de desemprego. Ele busca reembalar sua imagem com tinturas e sabores exóticos. Cuidado! Porque misturar  tapioca  com  açaí  pode  causar indigestão”, disse.
O discurso do orador Rui Falcão foi escrito sob medida para dissipar o clamor “Volta, Lula!”: “A partir de agora, toda a nossa energia se concentrará no objetivo central do PT: a reeleição de Dilma. Com ela, nas lutas, na vida e na campanha, está o companheiro Lula, presidente de honra do PT e a maior liderança que o povo brasileiro já produziu”. O evento, na Zona Norte de São Paulo, reuniu 5 mil delegados que terão a missão de definir as diretrizes do programa de governo e a tática eleitoral do PT para as eleições. A intenção, nas palavras dos dirigentes, era “esfregar sangue no rosto da militância para que todos saiam em defesa de Dilma e do PT”. Como vem ocorrendo ao longo da história petista, quando se sente acuado, o PT parte para cima dos adversários e aposta no velho “nós contra eles”.
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