Na próxima semana estarei em Fortaleza, na 3ª Conferência
Internacional sobre Adaptação Climática, que reúne cientistas e organizações
usuárias de informações sobre mudanças climáticas.
Este ano, além dos cenários mostrados nas pesquisas
recentes, o encontro vai explorar abordagens práticas e estratégias para tomada
de decisões. A capacidade de tomar decisões é cada vez mais exigida num mundo
de urgências e emergências.
No Brasil, os exemplos são claros. São Paulo está no limite
do abastecimento de água e energia, Rondônia e Acre com grandes prejuízos
causados pelas enchentes. Tais situações, como outras vividas nas várias
regiões do país, ano após ano, denunciam nosso atraso estratégico.
Quem acompanha as negociações internacionais sabe que todos
os governos se atrasaram. O último grande fiasco foi aqui mesmo, na Rio+20, que
apenas adiou as decisões urgentes para deter o aquecimento global.
Mas a crise se agravou a olhos vistos e novas pesquisas
mostram isso em detalhes. Ainda ontem foi anunciado que passamos todo o mês de
abril acima do limite simbólico de 400 ppm (partes por milhão) de gases do
efeito estufa na atmosfera. O sinal amarelo está ficando vermelho.
Estados Unidos e Europa já reconhecem o impacto das mudanças
climáticas sobre suas economias. A China iniciou um gigantesco programa de
plantio de árvores e a mudança de sua matriz energética.
Também no Brasil precisamos encarar a realidade.
É triste ver desastres repetidos por falta de políticas de
adaptação e mitigação. Há poucos dias, a Fapesp divulgou o alerta do
pesquisador José Galizia Tundisi: o desmatamento nas margens dos rios, além de
reduzir os recursos hídricos, afeta a qualidade da água e torna 100 vezes mais
caro seu tratamento.
Isso contradiz a falsa idéia de que o meio ambiente é
entrave ao desenvolvimento. Ocorre exatamente o contrário: os prejuízos e
atrasos se devem ao descuido com a sustentabilidade ambiental.
Mas permanece a generosa contribuição dos cientistas,
ambientalistas, ativistas sociais, povos, comunidades e empresas com
responsabilidade socioambiental. Há projetos e ações em todos os setores:
energia, transporte, habitação, tecnologia, tudo o que pode resultar em
políticas públicas, em decisão de Estado.
Gostaria de encontrar, com os cientistas em Fortaleza,
políticos de todos os partidos, governantes do país, dos estados e municípios.
Digo sempre: a sustentabilidade não é bandeira de um partido ou governo, é
necessidade de sobrevivência que resulta num imperativo ético, um valor
universal.
A ciência procura a política para um compromisso visando o
futuro.

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