Artigo de Marcos Rolim
David Coimbra escreveu em sua coluna que o “PT está morto”.
Penso que o óbito de fato ocorreu, embora o tenha por fato transcorrido há mais
tempo. Não me refiro à circunstância de integrantes do partido terem se
envolvido em atos de corrupção, porque se isso implicasse no falecimento não
haveria instituição no Brasil.
No que tange à corrupção, inaceitável é a reação do partido
que oscila entre a leniência e a máxima ademarista do “rouba, mas faz”. O
titular desta postura invertebrada, que faz lembrar a personagem Macunaíma de
Mário de Andrade, é o ex-presidente Lula. Foi ele quem, sob o impacto da
primeira denúncia do mensalão, se disse “traído” para, anos depois, afirmar que
tudo havia sido uma “invenção”.
Agora, no escândalo da Petrobrás, novamente, ao invés da
indignação diante de uma roubalheira cujas cifras extrapolam a imaginação dos
mortais, o que temos é a produção de um discurso solerte, direcionado às mentes
cansadas, que sugere uma “armação” da direita e da mídia contra o PT.
A morte do partido que já encarnou o sonho de dignidade e
justiça no Brasil é atestada por este discurso e pela ausência de qualquer
movimento sério no sentido de expurgar da legenda a máfia que nela se abrigou.
Estamos diante de uma tristeza e de uma derrota de proporções históricas
construída meticulosamente pelo pragmatismo desvairado, por pequenas vilanias
cotidianas e pelo abandono da coragem cívica.
O PT virou um partido vocacionado ao oportunismo, um espaço
onde irão florescer nulidades como o governador da Bahia, Rui Costa, que,
diante de uma chacina de 12 jovens negros, torturados, com braços quebrados,
olhos afundados e tiros na nuca, declara que, no momento do disparo de sua
arma, o policial é como “o centroavante diante do gol”.
Pode uma coisa dessas? E o que os petistas dizem diante de
algo assim? Nada. Porque nada têm a dizer sobre qualquer coisa de importante há
muito tempo, porque abdicaram de disputar ideias e projetos, porque a máquina
partidária se transformou em um moedor de carne que espanta a independência, a
inteligência e a dignidade.
Claro que há pessoas no PT que ainda se indignam e até mesmo
se envergonham. Para elas, há a esperança de que algo possa mudar e que o PT
seja capaz de se renovar moralmente. É uma pena dizê-lo, mas não há um só
indício que suporte tal pretensão.
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