Falta tudo. Vá num dos encontros organizados pela Câmara
Municipal nas subprefeituras. Parece que São Paulo parou no tempo. No Jaçanã,
zona norte, na parte mais carente a demanda é a mesma faz anos: melhores
condições de funcionamento para o Hospital Municipal São Luiz Gonzaga, que
atende em situação calamitosa. Unidades Básicas de Saúde (UBSs) não foram
construídas e uma, segundo relatos, funcionando em "cabana de
madeira".
Na periferia, o problema do lixo não se resolve. O metrô que
não chega nunca, o transporte de ônibus é insuficiente e de péssima qualidade.
As compensações ambientais acordadas na construção do Rodoanel até hoje não
aconteceram. Os mesmos córregos sem canalização: Tremembé, Piqueri e Paciência
(olha o nome!!!!). Enchentes sempre!
Alguma novidade? Sim. Em relação à Guarda Civil
Metropolitana, que não aparece para controlar a zoeira dos
"pancadões", à falta de equipamentos culturais para juventude se
encontrar, mais pistas de skate, mais cultura nos CEUs. Lembrei dos "rolezinhos"
, já esquecidos pelos prefeitos. Combate à corrupção é um mantra: "Aqui
falta tudo e ainda roubam nossos impostos".
Saí triste com o sentimento ou percepção de abandono pelo
poder público na fala dos moradores. Esta região tem 300 mil habitantes. Nas
zonas leste e sul há subprefeituras com mais de 600 mil em igual situação.
Faltam planejamento, recursos, contato com a realidade?
Um pouco de tudo. Quem planeja uma São Paulo tem que
estabelecer prioridades. O orçamento é de R$ 51 bilhões (trabalhei, em valores
atualizados, com R$ 30 bi), mas isso está longe de cobrir as necessidades. As
prioridades também passam longe de 350 km de ciclovias.
A Câmara aprovou em março a redução do indexador da dívida
de Estados e municípios com o governo federal a partir de 30 dias da aprovação
pelo Congresso. É uma enorme vitória para a cidade que vive asfixiada com
pesados juros e correções. O debate está no Senado e poderia ter sido votado no
início da semana. Foi adiado pois o prefeito Haddad concordou com o ministro
Joaquim Levy que esse alívio nas contas da prefeitura pode ficar para o ano que
vem. Cooperação de São Paulo para consertar o caos na economia?
O que São Paulo paga para a União (nessa dívida), num ano,
daria para construir 500 creches, 150 km de corredores viários e 10 mil
habitações!
Na Comissão de Assuntos Econômicos, Levy deixou claro que o
que for pago a mais desde agora até fevereiro de 2016 será restituído "se
tudo der certo", isto é, se a recuperação da economia ocorrer.
Com o desastre das contas deste primeiro bimestre lembrei de
Adoniran Barbosa: se São Paulo perder esse trem...

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