Com ou sem impeachment, uma coisa é certa: a Era PT chegou
ao fim. O partido não dispõe de quadros para seguir no comando do país. Seus
principais líderes ou estão na cadeia ou empenhados em dela escapar, a começar
por quem o simboliza, o ex-presidente Lula, de quem Dilma é apenas marionete.
Não quer isso dizer que a estrutura – CUT, MST, UNE,
ONGs etc. - e as ideias que se apossaram
da máquina estatal, e a lesaram como nunca dantes neste país, largarão o osso
com tanta facilidade.
A serpente PT botou ovos. Os partidos-satélites, como PSOL,
PSTU, PCdoB e mesmo a Rede Sustentabilidade, de Marina Silva – o maior silêncio
da crise -, aí estão para receber os sobreviventes.
O próprio PT, ciente de sua impotência eleitoral, concebe a
estratégia de compor uma frente partidária de esquerda para as eleições
municipais do ano que vem. Rui Falcão, presidente do partido, já explicou como
isso funcionaria.
Quer ocultar a estrela da legenda, hoje amaldiçoada,
dissolvendo-a em meio a uma frente “progressista”, que tentará levar adiante as
“conquistas sociais” que os petistas juram ter estabelecido, embora a crise
econômica, decorrente das políticas que o partido concebeu, se encarregue de
desfazê-las uma a uma.
A clientela do Bolsa Família é de mais de 45 milhões de
pessoas, que há 17 meses não têm reajuste, o que dispensa comentários. Os “mais
de 30 milhões que ascenderam à classe média” – e esses números compõem um
discurso, não uma demonstração -, se lá chegaram, já fizeram o caminho de
volta, segundo as estatísticas de desemprego.
As pesquisas de opinião mostram o desgaste petista nas
classes mais carentes, de que foram gigolôs nas últimas décadas. Enfim, o
partido que levou o país à falência econômica, política, social e moral precisa
salvar-se do naufrágio nos botes salva-vidas que cuidou de providenciar. E não
é difícil identificá-los.
Basta ver o empenho, por exemplo, do PSOL em valer-se de
Eduardo Cunha como cortina de fumaça para desviar a atenção de infratores bem
mais pesados, alguns deles, como os ministros Edinho Silva e Aloizio
Mercadante, dentro do próprio Palácio do Planalto. Se Cunha justifica a
indignação – e não há dúvida de que sim -, por que Edinho e Mercadante, e a
própria Dilma (citada por seis delatores, enquanto Cunha o foi por dois), não?
A indignação seletiva compõe a tecnologia de sobrevivência
da esquerda, hoje ancorada em milhares de ONGs que dependem de verbas do Estado
para sustentar a vasta militância, inimiga de uma burguesia fictícia, que ela
melhor que ninguém representa.
O silêncio de Marina Silva, que em momento algum exibiu
qualquer indignação com a roubalheira da Petrobras – até aqui orçada em R$ 20
bilhões -, e só veio a público para opor-se ao impeachment, não surpreende. Tem
coerência biográfica.
Ela já se manifestou reiteradas vezes nostálgica do PT,
abraçada à tese de que a proposta original era boa, mas foi distorcida – e Lula
teria sido arrastado sem o perceber.
A proposta original, no entanto, era essa mesma – e Lula
jamais foi outro. Quando se faz um retrospecto da ação do partido antes de
chegar à presidência da República, quando agia apenas no âmbito dos municípios,
já estava tudo lá.
O que aconteceu, por exemplo, em Campinas, com o assassinato
do prefeito Toninho do PT, e em Santo André, com o de Celso Daniel, ao tempo em
que o PT era oposição, dá uma mostra dos métodos que seriam expandidos e
aperfeiçoados em Brasília.
Marina é fã de Lula – e Lula é quem hoje sabemos. Não o
critica, nem a Dilma, ainda que tenha sido ofendida por ambos, em níveis
cruéis, na campanha. Prefere silenciar e recolher a militância sobrevivente em
sua Rede. É uma pescaria silenciosa, mas não invisível. Pretende herdar a
organicidade e a estrutura de uma máquina que se empenha em dar sequência, em
grau menos truculento, a um projeto de poder que estava na gênese do PT.
O impeachment, ainda que não saia – e, dada a crise
econômica, é difícil imaginar essa hipótese, mesmo com a visível cumplicidade nos três poderes -, permite que
se vislumbre os riscos embutidos no futuro, onde a fênix esquerdista aspira ao
renascimento.
Ruy Fabiano, jornalista – via Blog do Noblat

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