Por Consuelo Dieguez, Piauí
A sede do sindicato dos metalúrgicos de Pernambuco fica numa
arborizada rua de paralelepípedos próxima ao centro histórico do Recife. O
movimento ali costumava ser igual ao de qualquer entidade de classe. Uma ou
outra rescisão de contrato de trabalho, pedidos de informações, certa agitação
em época de campanha salarial. Costumava ser assim. Desde janeiro, o sindicato
vive outra rotina. Diariamente, por volta das oito da manhã, dezenas de homens
de todas as idades, com expressões que vão da passividade ao desconsolo, chegam
ao acanhado prédio de dois andares para homologar suas demissões.
Todos vêm de um único lugar: o Estaleiro Atlântico Sul, das
empreiteiras Queiroz Galvão e Camargo Corrêa, em Ipojuca, a poucos quilômetros
do Recife. São tantos os dispensados que o sindicato decidiu reuni-los no
auditório da entidade não só para agilizar o processo, mas para evitar o
constrangimento adicional de filas do lado de fora do prédio. No espaço de
cerca de 60 metros quadrados, sentados em carteiras escolares, os metalúrgicos
aguardam em silêncio o chamado de seus nomes.
O Atlântico Sul entrou em operação em 2008, com o objetivo
de fabricar para a Petrobras navios e sondas que seriam utilizados na produção
de petróleo na camada do pré-sal. O estaleiro atrasou as entregas e teve
canceladas 16 das 22 encomendas de navios feitas pela Transpetro – o braço
logístico da Petrobras –, embora já tivesse recebido boa parte dos recursos
para tocar as obras.
A situação se complicou ainda mais no ano passado. Atolada
numa crise financeira, a Petrobras cancelou encomendas futuras. Para piorar,
tanto a estatal quanto as empreiteiras encarregadas das embarcações foram flagradas
no escândalo da Operação Lava Jato. Com graves problemas de caixa, o Atlântico
Sul reduziu o ritmo das obras e fez um drástico corte de pessoal. Dos 5 mil
metalúrgicos que trabalhavam no estaleiro no final do ano passado, mais de 2
250 já haviam sido dispensados até setembro deste ano.
Na sede do sindicato dos metalúrgicos de Niterói, no estado
do Rio, o quadro não é muito diferente. Numa terça-feira de setembro, postados
atrás de um balcão de madeira, dois funcionários da entidade chamavam por ordem
alfabética os trabalhadores demitidos do estaleiro Mauá Eisa Petro-Um. O
estaleiro fechou as portas em julho, deixando de entregar para a Transpetro
três navios em construção.
Naquele dia, o sindicato fez 102 homologações de rescisão, só de metalúrgicos cujos nomes começavam pela letra R. Uma centena de Rafaéis, Reinaldos, Renans, Ricardos. Para o dia seguinte, outra leva com a letra R – de Robsons, Rodrigos, Ronaldos – também já estava agendada. Com o fechamento do estaleiro, 2 mil metalúrgicos perderam o emprego. A maioria ainda não recebeu nenhuma indenização. O dono do Mauá, o empresário Germán Efromovich, proprietário da companhia aérea colombiana Avianca, alega falta de recursos.
Naquele dia, o sindicato fez 102 homologações de rescisão, só de metalúrgicos cujos nomes começavam pela letra R. Uma centena de Rafaéis, Reinaldos, Renans, Ricardos. Para o dia seguinte, outra leva com a letra R – de Robsons, Rodrigos, Ronaldos – também já estava agendada. Com o fechamento do estaleiro, 2 mil metalúrgicos perderam o emprego. A maioria ainda não recebeu nenhuma indenização. O dono do Mauá, o empresário Germán Efromovich, proprietário da companhia aérea colombiana Avianca, alega falta de recursos.

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