O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), um dos poucos defensores
da ex-presidente Dilma Rousseff, saiu do plenário do Senado por volta das 7
horas desta quinta-feira. Caminhou com pressa, falando no celular, em direção
ao seu gabinete. Dizia estar exaurido. Aparentava estar desconsolado. Tudo o
que ele queria, após mais de 20 horas de sessão, era tomar um banho e lavar o
rosto para acordar. Acordar para uma realidade diferente daquela vivida por ele
em 1992, quando liderou o movimento cara-pintada durante o impeachment do
ex-presidente Fernando Collor de Mello. Naquela época, Lindbergh estava do lado
vencedor. Hoje, saiu derrotado, com o placar final de 55 senadores favoráveis
ao afastamento de Dilma da presidência - e 22 contra. Lindbergh votou contra o
impeachment. Collor, hoje senador por Alagoas e que conhece como ninguém o
impeachment, votou a favor. E ainda disse que alertou Dilma: "Não foi por
falta de aviso". Para Collor, a presidente deveria ter reconhecido os seus
erros antes de chegar a esse desfecho dramático. Lindbergh, porém, discorda. Em
entrevista a VEJA, logo após a votação do impeachment, questionou: "Quem é
Collor para dar conselho a Dilma?"
Collor, segundo o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró,
delator na Lava Jato, foi sócio de Dilma e do ex-presidente Lula na BR
Distribuidora, subsidiária da maior estatal do país. Em troca de apoio político
no Congresso ao governo do PT, ganhou a ascendência sobre a companhia para
mandar e desmandar, sem qualquer intervenção do Planalto. E deu no que deu.
Collor hoje é investigado na Lava Jato, acusado, entre outras coisas, de ter
desviado um dinheirão da BR Distribuidora. Lindbergh também se tornou alvo do
escândalo do petrolão. Ele é suspeito de ter recebido 2 milhões de reais em sua
campanha de 2010, oriundos de empreiteiras que tinham contratos com a
Petrobras. Essa doação foi intermediada por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da
estatal e um dos principais delatores da Lava-Jato. Lindbergh e Collor,
personagens antagônicos em dois processos de impeachment, hoje concordam apenas
num ponto: negam que tenham cometido qualquer irregularidade. Assim como os
ex-presidente Lula e Dilma.

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