A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta segunda-feira
(9), mais uma etapa da Operação Zelotes, que tem como alvo principal
ilegalidades em processos da empresa Cimento Penha no Carf (Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais). O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega foi
um dos alvos de mandado de condução coercitiva, em São Paulo.
Em novembro do ano passado, os sigilos bancário e fiscal de
Mantega foram quebrados pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, responsável pela
Zelotes, que acolheu um pedido do Ministério Público Federal que procurava
investigar a extensão do relacionamento do ex-ministro com o empresário Victor
Sandri, da empresa Cimento Penha, que conseguiu reverter multas no valor de R$
106 milhões em uma votação no Carf.
A intenção do Ministério Público com as quebras também era
verificar se Mantega sofreu influência indevida ao nomear determinados membros
do Conselho.
À época, o advogado de Mantega, José Roberto Batochio,
afirmou que a relação entre Mantega e Sandri começou há cerca de 20 anos,
quando o ex-ministro vendeu ao empresário um terreno, que recebera de herança
de seu pai. Sandri pagou o imóvel com unidades de um condomínio construído no
local. "Esse negócio ocorreu quando Mantega não era ministro", disse
o advogado.
Nesta nova fase da Zelotes foram cumpridos 31 mandados,
dentre busca e apreensão e condução coercitiva. Ainda não há detalhes sobre os
alvos dos mandados, mas não há prisões.
ZELOTES
A Zelotes investiga casos de corrupção em que empresas
pagariam propina para obter vantagens em julgamentos no Carf, que analisa
autuações milionárias da Receita Federal.
Há processos da empresa Cimento Penha que estão sob a
suspeita dos investigadores. A operação visa avançar nessas suspeitas.
Deflagrada no fim de março de 2015 com origem em uma carta
anônima entregue num envelope pardo, a Operação Zelotes investiga um dos
maiores esquemas de sonegação fiscal já descobertos no país.

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