Da Veja
A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira reclamação com
pedido para que sejam anuladas decisões do juiz Sergio Moro em processos que
investigam o petista na Operação Lava Jato. Entre os atos contestados pela
defesa estão o uso de conversas telefônicas em que Lula discute o cenário
político e critica as investigações do petrolão com autoridades com foro, o
fato de Moro ter feito juízo de valor sobre as conversas e a decisão do juiz de
ter levantado o sigilo dos grampos.
Os advogados de Lula já haviam se insurgido contra os grampos
que escancararam as conversas pouco republicanas do petista com a presidente
afastada Dilma Rousseff. O novo processo diz respeito agora às conversas em que
Lula manteve com o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), os deputados José
Guimarães (PT-CE), Paulo Teixeira (PT-SP), Wadih Damous (PT-RJ) e com o
ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) José Múcio Monteiro. Na época dos
grampos, outras autoridades que detinham foro na ocasião também apareceram nas
conversas, como os então ministros Jaques Wagner (Casa Civil), Edinho Silva
(Comunicação Social) e Nelson Barbosa (Fazenda). Além dos grampos conterem
autoridades com foro, os advogados de Lula contestam a decisão do juiz Sergio
Moro de tornar as conversas públicas.
"Mostra-se de rigor a concessão da medida liminar para
que este Supremo Tribunal Federal avoque, novamente, todos os procedimentos
conexos ao Pedido de Quebra de Sigilo (...) suspendendo-se, por consequência, o
curso de tais procedimentos relacionados, bem como de quaisquer outros munidos
com o conteúdo das interceptações em tela", diz a defesa. Além do recurso
ao STF, os advogados de Lula apresentaram em Curitiba um recurso conhecido como
exceção de suspeição, argumentando que Moro praticou "atos
arbitrários" ao determinar a condução coercitiva do ex-presidente, em
março, para prestar depoimento, e revogar o sigilo das conversas em que Lula
conversa com familiares, como seus filhos e a ex-primeira-dama Marisa Letícia.
Para os defensores Lula, cabe agora ao Supremo chamar para
si todos os procedimentos que envolvem o ex-presidente e os grampos e avaliar
se houve violação de competência, já que as conversas envolvem autoridades que
têm foro privilegiado, como deputados, senadores e um ministro do TCU. "O
Juízo Reclamado, ao se deparar com interceptações envolvendo autoridades
detentoras de prerrogativa de foro analisou e emitiu juízo de valor sobre as
conversas, quando deveria ter imediatamente enviado o conteúdo das conversas a
essa Excelsa Corte", criticam. Segundo os advogados, os mesmos grampos já
integram outra investigação envolvendo Lula, a do inquérito que apura o
"quadrilhão" da Operação Lava Jato. Por isso, dizem, manter o teor
das conversas em duas instâncias diferentes equivaleria a poder penalizar o
petista duas vezes pelo mesmo ato.
A postura de Sergio Moro em relação ao ex-presidente já foi
alvo de representação ao procurador-geral da República em junho. Familiares de
Lula também ingressaram com ações de reparação por danos morais. Em nota, a
Justiça Federal do Paraná disse que Moro vai se manifestar apenas nos autos do
processo.
Segundo os advogados, os mesmos grampos já integram outra
investigação envolvendo Lula, a do inquérito que apura o "quadrilhão"
da Operação Lava Jato. Por isso, dizem, manter o teor das conversas em duas
instâncias diferentes equivaleria a poder penalizar o petista duas vezes pelo
mesmo ato.

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