Salvo mudanças imprevistas, o calendário da votação do
impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff ficará assim:
2/8 - Na Comissão Especial do Impeachment, o senador Antonio
Anastasia (PSDB-MG) faz a leitura do seu relatório que recomendará a cassação
do mandato e dos direitos políticos de Dilma; os defensores da presidente apresentam
um voto em separado;
3/8 – A Comissão discute os dois votos;
4/8 – A Comissão vota o relatório de Anastasia. Se o
aprovar, o voto em separado será considerado prejudicado;
9/8 – Por maioria simples (metade mais um dos presentes à
sessão), o Senado vota o relatório aprovado pela Comissão. Caso o aprove, Dilma
irá a julgamento;
29/8 – O Senado começará a julgar Dilma. O julgamento está
previsto para durar uma semana.
Michel Temer abrirá os Jogos Olímpicos do Rio no dia 5 de
agosto na condição de presidente interino do Brasil. Deverá assistir ao desfile
militar de 7 de setembro como presidente da República cujo mandato terminará no
dia 31 de dezembro de 2018.
O presidente recém-eleito da Câmara dos Deputados, Rodrigo
Maia (DEM-RJ), substituirá Temer em suas eventuais ausências do país.
O rito do impeachment à moda brasileira, estabelecido pelo
Supremo Tribunal Federal, é arrastado, confuso e redundante. Assistimos mais a
uma peça de teatro do que a um julgamento. E as mesmas falas se repetem à
exaustão e sem necessidade.
Dois exemplos de redundância: a Câmara dos Deputados aprovou
a abertura do processo de impeachment. O Senado, em seguida, foi obrigado a
decidir se concordava com a abertura do processo de impeachment. Ora, com 81
senadores, o Senado vale mais do que a Câmara com 513 deputados?
Outro exemplo: no dia 9 de agosto, o plenário do Senado
votará o relatório da Comissão Especial. Para quê? Para decidir se Dilma deve
ir ou não a julgamento. Mas esse mesmo plenário, a partir de 29 de agosto,
começará a julgar Dilma caso tenha decidido antes que ela irá a julgamento.
É mais do que óbvio que a votação de 9 de agosto será uma
prévia da votação final prevista para o primeiro fim de semana de setembro,
possivelmente no dia 4. Por que o conjunto de senadores votaria de um jeito no
dia 9 e de outro jeito no dia 4? Não faz o menor sentido.
A essa altura, não há senador que não saiba como votará o
impeachment. As opiniões estão consolidadas.
Se depender do PT, a data do julgamento será antecipada.
Tudo o que ele quer é um espaço maior entre a data do julgamento e a data das
eleições municipais de 3 de outubro.

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