Para um ator político tão celebrado —em outros tempos— por
sua argúcia e senso de oportunidade, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) tem colecionado série estonteante de erros e reveses. Com tantos tropeços,
será surpresa se chegar a 2018 com sua candidatura de pé, como deseja.
Alguns dirão que a sucessão de embaraços nada mais é que o
corolário de sua manobra mais desastrada, a escolha do "poste" Dilma
Rousseff para concorrer a sucedê-lo no Planalto. Com a presidente afastada a
ponto de sofrer a confirmação do impeachment, Lula estaria a debater-se para
lustrar a própria biografia, ao menos perante a minguada torcida petista.
Isso explicaria, talvez, a retomada de peregrinações
saudosistas a remanescentes de popularidade lulista, como o Nordeste. Bem mais
difícil seria aplicar tal racionalização à canhestra iniciativa de denunciar o juiz Sergio Moro ao Comitê de Direitos Humanos da ONU por suposta violação de
direitos.
A eficácia jurídica do gesto teatral é zero. Mesmo que o
comitê desse razão a Lula, algo para lá de improvável, expediria quando muito
recomendações inócuas ao Judiciário brasileiro. De certo, colheria só a
antipatia da corporação de magistrados nacionais —o proverbial tiro no próprio
pé.
Coincidência ou não, as labaredas produzidas pelo recurso
internacional logo arrefeceram sob uma enxurrada de água fria com a elevação de Lula à categoria de réu. Não em Curitiba nem pelo algoz indigitado (Moro), mas
por um juiz federal de Brasília, que considerou suficientes os indícios de
tentativa de obstrução da Justiça no petrolão.
Recebimento de denúncia por um juiz não implica que haverá
condenação, verdade; no plano político e eleitoral, contudo, não é fardo leve
para se carregar. E Lula já conta com farta bagagem a onerá-lo no trajeto até
2018, do mensalão às nebulosas transações imobiliárias em Guarujá e Atibaia.
Por essas e outras, o ex-presidente amarga um índice de
rejeição de 46% em pesquisa Datafolha realizada em meados de julho. É o pior
desempenho entre possíveis candidatos na eleição presidencial.
O prestígio declinante de Lula ainda o levaria ao segundo
turno, hoje. Mas, com tantos eleitores recusando-se a votar nele, para uma
derrota quase certa, a prevalecerem as intenções ora indicadas.
Ele sai atrás em vários cenários sondados. Em dois deles,
com desvantagem fora da margem de erro.
Mesmo revelando-se, ao final, um estrategista desajeitado,
Lula nunca perderá o vezo do cálculo político. Não será surpresa se, acossado
pela Justiça, o ex-presidente chegar à conclusão de que seu crédito eleitoral
se esgotou.

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