O governo de Michel Temer publicou no início da tarde desta
sexta-feira, 9, uma edição extra do Diário Oficial da União (DOU) para
formalizar a nomeação de Grace Maria Fernandes Mendonça para o cargo de
advogado-geral da União, no lugar de Fábio Medina Osório, cuja exoneração veio
na mesma edição do documento.
A substituição foi antecipada pela colunista Vera Magalhães
mais cedo. Antes da publicação, o Palácio do Planalto também já havia
confirmado a mudança por meio de nota.
Temer esteve pessoalmente com Grace nesta manhã em seu
gabinete e falou com Medina apenas por telefone. Na nota, o presidente
agradeceu "os relevantes serviços prestados pelo competente
advogado".
Com a substituição, Temer pretende resolver dois problemas:
incluir a primeira mulher no primeiro escalão de seu governo e tirar um ministro
que, além de ter um trabalho que vinha sendo contestado pelo governo, teve uma
conversa classificada por alguns interlocutores como "dura" com o
ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.
Grace é funcionária de carreira da AGU e era responsável
pelo acompanhamento das ações no Supremo Tribunal Federal (STF), como
secretária-geral de Contencioso, cargo do qual foi exonerada hoje. O governo
não conta mais com a AGU como ministério, mas vai enviar uma Proposta de Emenda
à Constituição ao Congresso para garantir que o Advogado-Geral da União tenha
as mesmas prerrogativas de ministro.
Medina. Além dos problemas com Padilha, Medina deixa a pasta
"pelo conjunto da obra". Uma das primeiras críticas ao agora ex-AGU
foi o fato de ele ter sugerido estratégias que se revelaram ineficientes e
equivocadas no caso da substituição do presidente da Empresa Brasil de
Comunicação (EBC), Ricardo Melo, no início da interinidade do presidente Temer,
o que gerou uma série de problemas ao governo na estatal. Essas questões estão,
aparentemente, resolvidas com a suspensão da liminar concedida pelo ministro
Dias Toffoli, do STF, que permitia a Melo ficar à frente da presidência da
empresa.
Pouco depois, desagradou também ao Planalto a iniciativa de
Medina de investigar a atuação de seu antecessor, José Eduardo Cardozo, criando
mais uma frente de atrito. Além disso, ele teria "atropelado" seu
padrinho, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, marcando uma "reunião
de emergência" com Temer para despachar assuntos de rotina.
Do jornal O Estado de S.Paulo

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