Dirigentes e militantes de diretórios zonais do PSDB de São
Paulo lançaram um movimento de apoio à candidatura de Marta Suplicy (PMDB),
rival do nome tucano para a prefeitura paulistana, João Doria.
O grupo, que se autointitulou "peessedebistas
autênticos", promoveu reunião no último sábado (17) e pretende expandir
sua abrangência.
A dissidência tucana começou com mais força em diretórios da
Zona Sul como Piraporinha, Grajaú, Santo Amaro e São Luiz. A ideia, entretanto,
é fomentar a mobilização de descontentes com a candidatura de Doria nas demais
regiões, com foco nas zonas Norte e Leste.
Procurado, o presidente do PSDB paulistano, vereador Mário
Covas Neto, o Zuzinha, minimizou a dissidência e atribuiu o movimento a uma
tentativa de antigos apoiadores de Andrea Matarazzo, que deixou o PSDB e se
filiou ao PSD após perder as prévias para Doria, de desestabilizar o partido.
Hoje, Matarazzo é vice na chapa de Marta.
"Primeiro é preciso saber se esse movimento existe e se
ele tem abrangência. Há uma tentativa sistemática de grupos insatisfeitos [com
o resultado das prévias] que tentam se fazer maiores do que realmente
são", afirmou Zuzinha.
"Se o Matarazzo fosse forte como acha que é, tinha
ganhado as prévias e ficado no partido", concluiu. Ele disse ainda que,
pelo estatuto do partido, cabe punição aos militantes que declararem apoio a
candidaturas rivais.
A reunião dos dissidentes do PSDB que agora declaram apoio a
Marta foi registrada em um vídeo, obtido pela Folha. No filme, os militantes
dizem que Doria não tem tradição partidária e afirmam estar "descontentes"
com a candidatura escolhida para representar o partido.
"Não vamos falar que esse grupo se rebelou, mas nós não
concordamos com a candidatura que foi colocada", diz um dos militantes do
PSDB no filme, que se identifica como Gibinha, do Grajaú.
"Convidamos os militantes do PSDB descontentes com a
candidatura que foi posta. Venha com a Marta, venha com o Andrea",
prossegue.
"Não tem como a gente trabalhar com um nome que a gente
não escolheu", afirma outro. O presidente do diretório zonal de
Piraporinha, João Galúcio, é um dos que integram o movimento dissidente. Ele
confirmou o apoio à candidatura de Marta e disse que seu engajamento não é
contra o partido, mas um sinal do descontentamento com a escolha de Doria.
"Nós não concordamos com algumas coisas que
aconteceram", afirmou. Ele conta ainda que continua apoiando candidatos do
PSDB que concorrem a uma vaga na Câmara Municipal, como Eduardo Tuma, mas que o
suporte à chapa de Matarazzo se dá por descontentamento com as prévias.
"Nós não estamos nos desfiliando nem começando uma
guerra no partido. Simplesmente não concordamos com o que ocorreu e, nesse
momento, apoiamos Marta e Matarazzo. O segundo turno é uma outra
história", declarou Galúcio.
Ele disse esperar que o PSDB respeite sua escolha,
"afinal, o partido é democrático, ao menos no estatuto".
O racha nos diretórios zonais é um sintoma da divisão que a
candidatura de Doria instalou no PSDB.
O tucano foi escolhido com o apoio exclusivo do governador de
São Paulo, Geraldo Alckmin, a contragosto de outros caciques tradicionais da
sigla no Estado, como o ex-governador Alberto Goldman, o ministro José Serra e
até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, todos amigos de Matarazzo.
À Folha Matarazzo afirmou que a dissidência nos diretórios
zonais é um sinal de "como o PSDB está em frangalhos". O vice de
Marta deixou o partido após perder a primeira fase das prévias e abandonar o
segundo turno, acusando Doria de abuso de poder político e econômico, além de propaganda
irregular e compra de votos.
A campanha de Doria sempre afirmou que as denúncias eram
infundadas e fruto de uma inconformidade com a derrota de Andrea Matarazzo nas
prévias.

Nenhum comentário:
Postar um comentário