A Polícia Federal indiciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva por corrupção. A PF também indiciou o empreiteiro Marcelo Odebrecht e
Taiguara Rodrigues, sobrinho de Lula, estes dois por corrupção e lavagem de
dinheiro.
Além de Odebrecht, outros sete executivos da empreiteira
foram enquadrados por corrupção e lavagem de dinheiro. A PF afirma que o
ex-presidente recebeu parte de uma propina de R$ 20 milhões que teriam sido
pagas pela Odebrecht para a empresa Exergia, de Taiguara.
Segundo a PF, a propina teria sido uma contrapartida da
empreiteira por supostamente ter sido favorecida por Lula em Angola. A
empreiteira teria bancado despesas pessoais do petista, inclusive, pagamentos
de plano de saúde.
O ex-presidente teria beneficiado o sobrinho por meio da
Odebrecht em contratos em Angola. Foi na obra de ampliação e modernização da
hidrelétrica de Cambambe, em Angola, contudo, que o empresário firmou um
contrato milionário com a Odebrecht, em 2012, e que está na mira dos
investigadores. Sua empresa Exergia fechou um contrato de prestação de serviços
para a empreiteira naquele ano no valor de R$ 3,5 milhões.
Taiguara é filho de Jacinto Ribeiro dos Santos, o Lambari,
amigo de Lula na juventude e irmão da primeira mulher do ex-presidente, já
falecida. Morador de Santos, no litoral paulista, ele atuava no ramo de
fechamento de varandas e viajou para Angola para começar seus negócios naquele
país em 2007.
Alvo de mandado de condução coercitiva da Operação Janus, da
Polícia Federal, em 20 de maio deste ano, o empresário Taiguara Rodrigues dos
Santos ostenta em seu currículo atuação em obras de empreiteiras financiadas
pelo BNDES no exterior na esteira da política de aproximação com países
africanos durante os dois mandatos do ex-presidente Lula (2003/2010).
O acerto entre a Odebrecht e a Exergia foi formalizado no
mesmo ano em que a empreiteira conseguiu no Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) um financiamento para realizar esse projeto na
África. O episódio levou o Ministério Público a abrir inquérito para investigar
a suspeita de tráfico de influência de Lula em benefício da empreiteira.
Lula já prestou depoimento sobre o caso. Segundo as
investigações da Polícia Federal, a obra recebeu um aporte de US$ 464 milhões
do banco público.
Em depoimento à CPI do BNDES no ano passado, o empresário
admitiu os contratos com a empreiteira. Na ocasião, o executivo falou por
quatro horas à comissão, e disse que o valor é referente a serviços de
sondagem, avaliação da topografia e gerenciamento de obras prestados pela
empresa. Segundo ele, todos os contratos foram obtidos por meio de licitações
dentro da empreiteira.
COM A PALAVRA, A ODEBRECHT
A empresa não vai se manifestar sobre o tema
Do Blog do Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

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