Após levantar bandeira contra o loteamento partidário na
administração, o prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) já nomeia indicados
políticos de vereadores e filiados a partidos de sua futura base de apoio em
cargos nas prefeituras regionais (antigas subprefeituras).
Pelo menos 17 de 20 chefes de gabinetes dessas regionais
publicados no "Diário Oficial" da cidade desta semana são
ex-assessores parlamentares, filiados ou antigos apoiadores de campanha de
partidos como DEM, PR, PHS, PPS, PP, PTN, PMDB e PSD –estes dois últimos
adversários de Doria nas eleições na chapa que teve Marta Suplicy (PMDB) à
prefeita e Andrea Matarazzo (PSD) como vice. Ambas as legendas farão parte da
base de apoio do tucano durante o mandato.
Redutos eleitorais, as antigas subprefeituras sofrem forte
influência de políticos que ocupam cadeiras no Legislativo paulistano. Doria
assumiu a cidade com o compromisso de colocar em sua equipe pessoas com ficha
limpa, experiência administrativa, curso superior e vínculos com a comunidade
–de preferência, moradores dessas áreas.
Ele disse em várias ocasiões que a época do "loteamento
acabou" e que os postos de chefia seriam ocupados com base em currículo e
experiência administrativa. "Indicações são bem vindas. O que não pode e o
que não vai ter é dizer 'isso aqui sempre foi meu, aqui indico eu'. Indicava,
cara pálida, acabou", afirmou em discurso na Fecomercio-SP, em dezembro
passado.
APOIO
O tucano, porém, precisará do apoio dos vereadores para
conseguir aprovar boa parte das promessas de campanha. As privatizações do
complexo do Anhembi e do autódromo de Interlagos, entre outras, terão que
passar pelo crivo deles, por exemplo. Também dependem de votação outros pontos
ainda mais polêmicos cogitados pela equipe de Doria para aliviar as finanças,
como a revisão da gratuidade a idosos abaixo de 65 anos e o fim dos cobradores
nos ônibus.
Assim que assumiu em 2013, o então prefeito Fernando Haddad
(PT) disse que só nomearia subprefeitos com nível universitário e que fossem
engenheiros ou arquitetos concursados. No entanto, sob pressão de legendas
aliadas, os 32 chefes de gabinete foram em sua maioria indicados de vereadores
ou partidos. No terceiro ano de mandato, boa parte desses chefes foi alçada ao
comando das regionais.
A gestão Doria afirma que a nomeação de integrantes da
administração obedece a uma série de requisitos, entre eles, bom currículo,
capacidade técnica, experiência administrativa, nível superior e proximidade
com a comunidade local.
DEM E PMDB
Um dos novos chefes de gabinete é indicado do DEM, partido
do novo presidente da Câmara, Milton Leite –principal puxador de votos de Doria
no extremo zona sul da cidade, onde o PSDB costumava sofrer derrotas para o PT.
Chefe de gabinete de M'Boi Mirim, Silvio Ricardo Pereira dos
Santos, já ocupou o mesmo cargo durante a gestão Gilberto Kassab (2006 a 2012).
Na Lapa, o atual secretário estadual de Turismo, Laercio Benko, manteve seus
indicados, assim como na gestão Haddad. Seu irmão, Leandro Benko será o chefe
de gabinete ali.
Na Vila Mariana (zona sul), o novo chefe de gabinete é Luis
Felipe Miyabara, que já ocupou o cargo na gestão Haddad. Ele é afilhado
político do deputado estadual Jooji Hato, do PMDB. Indicados de vereadores
tucanos também vão compor compor a direção das prefeituras regionais.
Filiado ao PSDB, Evandro Vinícius Gilio tem uma empresa de
comunicação que prestou, em 2012, serviços à campanha de João Jorge (PSDB),
eleito em 2016. Alguns dos chefes nomeados faziam assessoria para vereadores
reeleitos até o último dia 16. Na Vila Prudente, assume as ex-assessora de Edir
Salles (PSD). No Tucuruvi, o chefe será o ex-assessor de Conte Lopes (PP).
Até o PROS, que apoiou a candidatura de Haddad, mas também
fará parte da base de apoio de Doria, emplacou um assistente de subprefeito.
Apoiador do ex-tucano reeleito vereador pelo PROS Ricardo Teixeira, o novo
chefe de gabinete da prefeitura da Mooca será Felipe Morrone.
A Folha apurou que as escolhas políticas nesses postos já
estavam previstas na gestão como forma de acomodar aliados que perderam espaço
nas secretarias, postos mais cobiçados. Nas últimas semanas, muitos deles
fizeram fila no gabinete do secretário de Governo, Julio Semeghini, responsável
pelas nomeações.
Dos 55 vereadores, apenas 11 (nove do PT e dois do PSOL)
devem ficar permanentemente na oposição. Os demais devem fazer compor com o
novo governo, embora possam oscilar em projetos polêmicos.

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