SÃO PAULO - Os prefeitos regionais da Sé e de Pinheiros,
região central e zona oeste, respectivamente, estudam formas de pedir
contrapartidas a blocos de carnaval e patrocinadores em 2018. Neste ano, dos
495 grupos cadastrados, mais da metade vai desfilar nessas regiões.
Na região da Sé, o número de blocos passou de 70 no ano
passado para 163. Eduardo Edloak, prefeito regional da Sé, disse estudar já
para o próximo ano uma mudança para que o "ônus do evento" - com a
logística e apoio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), limpeza,
fiscalização de vendedores irregulares e segurança com a Guarda Municipal - não
seja apenas da Prefeitura.
"Para o próximo ano, devemos fazer portarias que exijam um pouco mais de
organização e estrutura. Principalmente, contrapartida de patrocinadores, que
são cada vez maiores, e devem compensar esse tipo de despesa", disse
Edloak.
Para este ano, a prefeitura regional já restringiu a
concentração ou dispersão de blocos na Praça Roosevelt. "Foi impressionante
como os moradores se organizaram e relataram danos e a sujeira causados pela
multidão. Por isso, decidimos por restringir", disse. No ano passado, ao
menos cinco blocos fizeram a concentração na praça.
O desfile de blocos na Rua da Consolação ainda é estudado,
especialmente aos domingos quando a Avenida Paulista é fechada aos carros. O
único bloco que deve circular na via é o Acadêmicos do Baixa Augusta - que vai
manter o mesmo trajeto do ano passado -, um dos maiores do carnaval de São
Paulo e que espera reunir 300 mil foliões neste ano.
Alê Youssef, um dos fundadores do Acadêmicos, disse que o
diálogo para ajustes no carnaval de rua de São Paulo é importante desde que
sejam promovidos pelo viés cultural e sem alterar a estrutura atual.
"Nosso principal desafio agora é evitar que aventureiros tentem de alguma
forma privatizar o carnaval de rua. É muito importante que ele se mantenha
assim livre, democrático e descentralizado. Porque essa não é a decisão de um
partido ou um político, mas uma conquista da sociedade que há anos vem
batalhando pelo carnaval", disse.
O tema do Acadêmicos neste ano será "Primeiramente...a
cidade é nossa", uma referência à ocupação dos espaços de São Paulo.
"Somos um bloco ativista e aproveitamos o carnaval para fazer uma reflexão
ou crítica", disse Youssef. Durante o desfile, serão feitas intervenções
artísticas - segundo um dos integrantes, uma delas será um grafite em um dos
prédios da Consolação - e a presença de artistas como Fafá de Belém, Tulipa
Ruiz e Tiê.
Novo. Um dos novos blocos a desfilar no centro de São Paulo
é o Pagu. Idealizado e fundado pela cineasta Mariana Bastos, de 34 anos, e a
produtora de cinema Thereza Menezes, de 31 anos, o bloco surgiu com o objetivo
de empoderar as mulheres. "O carnaval é um dos momentos em que as mulheres
mais sofrem assédio e violência. São objetificadas na festa e nós queríamos
mudar essa participação".
Desde novembro do ano passado, elas estão ensaiando e
montaram uma bateria formada apenas por mulheres e repertório composto só por
músicas de cantoras. "Excluímos marchinhas machistas, que são muitas.
Vamos cantar Elza Soares, Clara Nunes", disse Mariana.
Pinheiros. Na região de Pinheiros, onde o número de blocos
passou de 78 para 111 neste ano, algumas contrapartidas já estão sendo
negociadas com os organizadores. De acordo com Paulo Mathias de Tarso, prefeito
regional, há uma negociação para que os blocos limpem a sujeira que seus
foliões deixarem após o cortejo.
"É uma contrapartida voluntária e a maioria teve boa
vontade em aderir. Para o próximo ano, vamos ter que colocar mais compromissos
para os blocos, mas tudo será discutido com eles", disse Tarso.
Outra alteração na região é que a saída dos blocos deve
ocorrer no máximo às 15h - no ano passado, era até as 17h. A dispersão deve
ocorrer até as 20h, como já ocorria antes. Também aumentou o número de vias
restritas, incluindo as avenidas Rebouças e Brasil, além da Alameda Santos e da
Rua Groenlândia. Os blocos podem apenas cruzar essas vias.
Dos 111 blocos, cinco desistiram de desfilar na região.
Segundo Tarso, dois deles porque esperavam fazer o cortejo em avenidas maiores,
como a Rebouças. "Eram mega blocos de Salvador que se inscreveram pela
primeira vez e queriam usar a Rebouças, mas dissemos não, porque não há condições
de o bairro acomodar de forma segura e confortável".
Questionada sobre as contrapartidas, a Secretaria de Cultura
disse que “não há nada a adiantar” sobre o próximo ano.

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