Do O Globo
RIO - As pendências financeiras de Fernando Mac Dowell,
vice-prefeito e secretário municipal de Transportes, não se limitam à dívida de
R$ 215,4 mil com o IPTU da casa onde mora, em um condomínio da Barra, como
revelou o GLOBO nesta quinta-feira. A empresa Fernando Mac Dowell Engenharia e
Consultoria, que funciona no mesmo imóvel e que tem a mulher dele como sócia,
deve dinheiro à União. Em duas ações que tramitam na Justiça Federal, a
Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional cobra R$ 137.291,36 (valores
atualizados) em tributos atrasados. Desse total, R$ 63,8 mil são referentes ao
valor que deixou de ser pago no Imposto de Renda (pessoa jurídica) de 2011 e a
multas. Os R$ 73,4 mil restantes estão relacionados ao fato de a empresa não
ter recolhido, nos anos de 2013 e 2014, a Contribuição Social Sobre o Lucro das
Empresas (CSSL), cobrada em cima do faturamento do negócio.
Os processos estão disponíveis para consulta pública na
internet. Foram, portanto, obtidos sem violar o sigilo fiscal garantido pela
Constituição Federal e pelo Código Tributário. O GLOBO constatou que o
vice-prefeito recebeu notificações sobre as dívidas. A última, relativa à CSSL,
foi entregue a ele no mês passado.
Advogado do vice-prefeito, Alex Porto Farias disse que seu
cliente já entrou com um pedido de parcelamento da dívida do IPTU. Em relação
aos impostos federais, ele explicou que Mac Dowell pretende acertar as
pendências com o fisco aderindo ao Programa de Regularização Tributária,
instituído no início deste ano por uma medida provisória que permite o
parcelamento de dívidas com a União em até 120 vezes.
De acordo com Farias, seu cliente é um profissional
conceituado que, antes de ser eleito, se dedicou a atividades de consultoria.
Segundo ele, Mac Dowell, como muitos profissionais liberais, enfrenta
dificuldades para pagar tributos por causa da crise econômica do país.
O advogado disse ainda que a inadimplência de um
contribuinte não é crime, e que a intenção do vice-prefeito nunca foi sonegar
impostos:
— Estamos falando de uma situação que pode ocorrer com
qualquer cidadão. Só seria ruim para a imagem dele como político se estivesse
respondendo por algum escândalo.
Especializado em direito eleitoral, o advogado Bernardo
Brandão, observou que tanto na Constituição quanto na Lei da Ficha Limpa não há
restrições para que pessoas com pendências fiscais sejam candidatas em eleições
ou exerçam mandatos:
— Mas isso não seria má ideia. Quem garante que alguém que
não consegue cuidar das próprias contas trabalhará bem se for eleito ou
indicado para gerir recursos públicos?
PROCESSO DE COBRANÇA PODE LEVAR CINCO ANOS
O advogado especializado em direito tributário David Nigri
explicou que os processos contra a empresa de Mac Dowell na Justiça Federal
podem seguir dois caminhos. Um é o processo ser interrompido por um acordo.
Caso a inadimplência persista, os procuradores da Fazenda têm cinco anos, a
partir do momento em que o vice-prefeito foi notificado, para tentar recolher
os valores em juízo, sem prescrição dos prazos das dívidas.
— Caso a empresa tenha algum bem, este pode ser penhorado
para garantir o pagamento da dívida. E há a possibilidade de o dinheiro ser
bloqueado numa conta de pessoa jurídica — explicou Nigri.
O advogado acrescentou que a Fazenda Nacional só pode
acionar o vice-prefeito como pessoa física para honrar a dívida se as
atividades da empresa forem encerradas informalmente.

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