O presidente Jair Bolsonaro tentou apresentar em Davos um
Brasil atraente para o investidor estrangeiro, mas o primeiro atrativo, em
condições normais, é a perspectiva de expansão dos negócios. Essa perspectiva
depende hoje, em primeiro lugar, do programa de ajustes e de reformas. Sem
avanço na reforma da Previdência, nem o modesto crescimento econômico previsto
para este ano e para próximo está garantido. Esse prosaico detalhe foi lembrado
por um experiente analista do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gian Maria
Milesi-Ferretti, numa entrevista coletiva sobre as novas projeções para a
economia global. Segundo as novas estimativas, o Brasil cresceu 1,3% em 2018 e
deve crescer 2,5% neste ano e 2,2% no próximo.
Projeções são condicionadas por pressupostos, e um dos mais
importantes, neste caso, é a execução normal dos programas de arrumação das
contas públicas e, especialmente, de modernização do sistema de aposentadorias
e pensões. Os grandes investidores participantes do Fórum Econômico Mundial
sabem disso. As palavras de Milesi-Ferretti, diretor adjunto do Departamento
Econômico do FMI, apenas adicionam um sinal de alerta às novas estimativas de
expansão do Brasil.
Mesmo sem a advertência, os números projetados para o Brasil
pelos técnicos do FMI justificam pouco otimismo. Indicam apenas um desempenho
melhor que o dos anos anteriores, mas nem de longe uma nova fase de
prosperidade. Mostram basicamente uma recuperação cíclica, depois de uma funda
recessão. Na melhor hipótese, o País poderá retomar o nível de atividade
anterior à crise, eliminando a ociosidade criada nos últimos anos. Atingir um
patamar superior será mais complicado.
O desafio imediato para o novo governo, portanto, é
consolidar a recuperação. O controle das finanças públicas, incluída a reforma
da Previdência, é condição para qualquer lance mais ambicioso. Para conduzir o
País a um novo patamar de atividade será preciso a capacidade produtiva e, como
consequência, o potencial de crescimento econômico.
O cálculo desse potencial é complicado e incerto, mas as
estimativas têm convergido para algo próximo de 2,5% ao ano, nas atuais
condições do País. Para se aproximar dos padrões observados em economias
emergentes mais dinâmicas, o Brasil dependerá de investimentos produtivos muito
maiores que os calculados, por exemplo, nos últimos dez a quinze anos.
O investimento bruto em capital fixo – máquinas,
equipamentos e construções, incluídas obras de infraestrutura – tem sido
frequentemente inferior a 20% do Produto Interno Bruto (PIB). Taxas próximas de
24% do PIB têm sido observadas em países latino-americanos com desempenho
melhor que o do Brasil. Na Ásia, níveis ainda mais altos de investimento fixo
têm permitido crescimento econômico acelerado por longos períodos.
As más condições das finanças públicas são o primeiro e mais
visível obstáculo a níveis mais altos de investimento. O governo despoupa,
investe pouco e devora recursos privados para cobrir o enorme rombo fiscal. Um
dos vários efeitos malignos desse desajuste é a permanência de juros muito
altos pelos padrões internacionais. A atração de capital externo pode elevar a
poupança disponível e contribuir para maior investimento, mas essa atração
provavelmente dependerá de melhores perspectivas para as finanças públicas.
Maior confiança, alimentada por melhora sensível nas
condições financeiras do governo, também poderá impulsionar o investimento
privado nacional.
O governo terá de participar duplamente dessa mudança,
consertando suas contas e promovendo, ao mesmo tempo, maior investimento em
infraestrutura, condição indispensável para o aumento geral da produtividade e
do poder de competição do País. Também será preciso cuidar mais da qualidade
dos projetos e de sua execução.
Será indispensável, enfim, dar muito mais atenção à
atualização tecnológica e à formação de capital humano desde o ensino
fundamental. Por enquanto, sobram razões de preocupação quanto à qualidade da
política educacional. Erros nessa área tornarão muito mais difícil a acomodação
efetiva do Brasil no século 21 e na economia 4.0.

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