Aos 69 anos, Paulo Guedes, ministro da Economia, começa a
desvelar na mesa do jogo de poder a sua maior aposta como ativista do
liberalismo. Na gélida Davos, Suíça, apresentará o projeto de uma “frente
única” de conservadores e liberais-democratas para um programa liberal no
Brasil.
Num dos textos publicados no GLOBO no final de 2017, sugeriu
o desmonte do “Leviatã moldado pelo nacionalismo estatizante do regime
militar”. Na travessia do tempo, ressaltou, ele “acabou —quem diria —aparelhado
pelos petistas”.
“Esse aparelho de Estado”, prosseguiu, “antes dirigido por
uma tecnoburocracia administrativa de comando central com foco em
infraestrutura, foi saqueado por grupos de interesse corporativo e partidos
políticos desidratados pela concentração de recursos no governo central. O
capitalismo de Estado dos militares tornou-se o capitalismo de quadrilhas dos
social-democratas.”
Guedes seduziu um de seus leitores, Jair Bolsonaro, na época
candidato à procura de uma ideia.
A eficácia política dessa ideia de uma “frente” de
conservadores e liberais-democratas será testada em temas como a reforma da
Previdência, a partir da segunda-feira, 4 de fevereiro. É quando o Congresso
começa a decidir sobre os limites da ação governamental na desmontagem desse
“legado” do regime militar.
Já é possível perceber Guedes se chocando contra paredes do
próprio labirinto. Há três semanas prometeu amputar parte dos “braços armados”
do capitalismo de Estado, como define o gigantismo dos três bancos públicos,
donos de metade do crédito disponível na praça.
Seu dilema é como decepar o segmento financeiro do setor
público sem alternativa à subversão ainda maior do ambiente de negócios no
país. O risco é o de estimular mais, e exponencialmente, a concentração na
tesouraria de três bancos privados (Itaú, Bradesco e Santander).
Se Guedes já encontrou a saída, deveria indicá-la o mais
rapidamente possível. Sobram dúvidas, e isso nunca é bom para os negócios no
Brasil ou na Suíça.

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