“EMBAIXADOR”,
EDUARDO BOLSONARO TRIPLICA DE TAMANHO NO TWITTER
A provável indicação para o cargo de embaixador do
Brasil no Estados Unidos, as críticas por nepotismo e os hambúrgueres do Maine
fizeram o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) decolar no Twitter. Em
julho, as menções ao filho 03 do presidente Jair Bolsonaro quase triplicaram na
comparação com o mês anterior. Foram, ao todo, 2,3 milhões de citações, que
fizeram dele o personagem do governo mais mencionado na rede social em julho –
atrás apenas do ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro. O
número de menções a Eduardo Bolsonaro no Twitter foi o maior já atingido por um
filho do presidente desde o início do ano. Superou até mesmo as citações ao
primogênito, o senador Flavio Bolsonaro (PSL-RJ), que em janeiro foi mencionado
2,2 milhões de vezes em meio às investigações sobre seu ex-assessor, Fabrício
Queiroz. Os dados foram compilados pela Diretoria de Análise de Políticas
Públicas da Fundação Getulio Vargas (DAPP-FGV), que, a pedido da piauí,
monitora as citações a políticos ligados ao governo no Twitter.
No dia 11 de julho, Bolsonaro afirmou pela primeira vez que
indicaria Eduardo para o posto na Embaixada, cargo mais importante da
diplomacia brasileira no exterior. A declaração acarretou críticas de que o
presidente estaria tentando favorecer o filho. Eduardo saiu em defesa própria.
“Sou presidente da Comissão de Relações Exteriores [da Câmara], já fiz
intercâmbio, já fritei hambúrguer lá nos Estados Unidos, no frio do Maine.” O
assunto polarizou as redes e alavancou hashtags como #EmbaixariaBrasileira.
As menções a Eduardo no Twitter já vinham em tendência de
crescimento desde abril. Somando as interações do ano inteiro, Eduardo ficava
atrás de Flavio e Carlos até o mês de junho. Agora, o 03 ultrapassou os dois
irmãos e assumiu o segundo lugar no ranking dos bolsonaristas mais citados
nessa rede social em 2019 – de novo, o ministro Moro é o primeiro no acumulado
do ano.
Os dados compilados pela Dapp mostram que, dos filhos do
presidente, Eduardo e Carlos são os principais mobilizadores do governo no
Twitter. Embora Flavio apareça em posição de destaque na lista dos mais
citados, tem pouco protagonismo ativo na rede. O 01 é muito citado ainda em
decorrência do caso Queiroz, mas, diferentemente de seus irmãos, tem poucos retuítes
e não serve como polo aglutinador da direita. Em geral, na rede social, quanto
maior o número de retuítes, maior o potencial de alcance.
Além dos filhos do presidente, estão no topo da lista de
menções os ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Educação, Abraham
Weintraub. Este último, que até o início de abril era um ilustre anônimo para o
grande público, teve um pico em maio e depois recuou, mas se mantém como um dos
bolsonaristas mais citados na rede social. Está num patamar semelhante ao de Guedes,
que vem sendo cada vez menos citado no Twitter desde abril. O ministro da
Economia, além de perder o protagonismo na tramitação da reforma da
Previdência, tem visto a pauta econômica do governo se diluir em meio a outras
polêmicas.
O ex-juiz Sergio Moro, ministro da Justiça,
segue como o bolsonarista mais citado no Twitter em 2019. Moro teve 6,3 milhões
de citações no Twitter em julho. Foi um volume 32% menor que o do mês anterior
– quando teve início a publicação das conversas vazadas da Operação Lava Jato
pelo site The Intercept Brasil –, mas Moro continua isolado na
liderança. Desde janeiro, foi citado 21,3 milhões de vezes, mais que os três
filhos de Bolsonaro somados. Continua sendo o personagem do governo com maior
visibilidade na rede social depois do presidente.
A novidade do ranking é a deputada federal Carla Zambelli
(PSL-SP) – que, à exceção dos filhos do presidente, é a única bolsonarista do
Legislativo a figurar entre os dez mais citados do Twitter. A parlamentar teve
766 mil menções na rede social em julho e, no acumulado do ano, desbancou até o
vice-presidente da República, Hamilton Mourão.
O general Mourão saiu de cena em maio, após ter sido
abertamente criticado pelo vereador Carlos Bolsonaro. Em abril, havia
registrado 532 mil menções; em junho e julho, ficou com pouco mais de 100 mil
menções. Outro que encolheu de tamanho no Twitter nos últimos dois meses foi
Olavo de Carvalho, polemista que tem influência sobre os seguidores de
Bolsonaro. O guru teve um pico em maio, com 1,2 milhão de menções na rede, e em
julho caiu para 332 mil.
No acumulado do ano, Olavo tem quase o mesmo patamar de
menções que Zambelli. Fundadora e líder do movimento Nas Ruas, a deputada
também figura entre os governistas mais retuitados. Em junho, alcançou 192 mil
retuítes e ficou atrás apenas de Bolsonaro nesse quesito. No mês seguinte,
julho, a parlamentar ficou na cola do presidente, do ministro Sergio Moro e dos
irmãos Eduardo e Carlos.
Além de ser uma importante influenciadora da direita,
Zambelli ganha visibilidade em discussões com outros bolsonaristas. Em meados
de maio, entrou em rota de colisão com sua correligionária e líder do governo
no Congresso, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP). As duas trocaram farpas,
via Twitter, sobre a atuação da bancada do PSL na votação da MP 870, que
reconfigurou a estrutura dos ministérios. “A MP 870 sofreu grave ataque na
comissão, e pergunto: a líder @joicehasselmann não fala nada disso em suas
redes, pq?”, tuitou Zambelli, na época. O caso repercutiu por dias.
Mais recentemente, a parlamentar se desentendeu com outro
correligionário, Alexandre Frota (PSL-SP). O deputado vem fazendo críticas
duras ao governo Bolsonaro, e nesta semana se absteve de votar o segundo turno
da reforma da Previdência na Câmara. Zambelli acusou Frota de “hipocrisia”, e o
deputado reagiu: “Duas caras a essa altura não dá. Cuida da vidinha seja feliz
e me esqueça.” Na última quarta-feira, 7, Zambelli protocolou um pedido de
expulsão contra Frota no Diretório Nacional do PSL.
LUIGI MAZZA
LUIGI MAZZA
Repórter da piauí e produtor da rádio
piauí

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