Os três primeiros meses do Governo Jair
Bolsonaro não parecem muito animadores, a julgar pelos números da
pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira. O levantamento realizado de 16 a
19 deste mês mostra uma queda de 15 pontos percentuais na avaliação de
"ótimo ou bom", que foi dos 49% aferidos em janeiro para 34%. A
aprovação é a pior para um presidente da República em primeiro mandato
desde Fernando
Henrique Cardoso, de acordo com os números do próprio Ibope.
A comparação com os antecessores no Palácio do Planalto não
é alvissareira para o presidente. A esta altura de seu primeiro Governo,
Fernando Henrique Cardoso contava com 41% de avaliação "ótima ou
boa", enquanto Luiz Inácio Lula da Silva tinha 51% e Dilma Rousseff, 56%.
Os 34% de Bolsonaro só são melhores do que os índices dos segundos mandatos de
FHC, 22%, e de Dilma, 12%, quando ambos já tinham passado por quatro anos de
desgaste em seus seus primeiros mandatos.
Quando a pergunta é a sobre "a forma como Bolsonaro
está governando o país", o levantamento indica que 51% dos brasileiros a
aprovam, enquanto 38% desaprovam e 10% não sabem ou preferem não opinar. Apesar
de maior do que a aprovação pessoal do presidente, esse índice também registrou
queda desde janeiro, quando 67% aprovavam a forma do presidente de governar.
Outro índice que caiu desde o início do Governo é o de confiança em Bolsonaro:
foi de 62% de confiança para 49%.
A maior queda de prestígio do presidente foi registrada na
região Nordeste, onde a queda da avaliação "ótimo ou bom" do Governo
caiu 19 pontos, de 42% para 23% — é nessa região também que se concentra a
maior desaprovação sobre a forma de Bolsonaro governar, de 49%. A segunda queda
mais expressiva foi entre os brasileiros com renda familiar entre dois e cinco
salários mínimos, que apresentou recuo de 18 pontos, de 53% em janeiro para 35%
agora.
Durante os três primeiros meses de Governo, Bolsonaro
estipulou a reforma da Previdência como prioridade na agenda do Congresso
Nacional, mas frequentou o noticiário mais por conta de suas
postagens no Twitter do que propriamente por conta de medidas de
Governo. Ele também dividiu as atenções com ministros como Paulo Guedes, da
Economia, e Sérgio Moro, da Segurança Pública, e teve a imagem desgastada pela
investigação do caso
Fabrício Queiroz e pela demissão
tumultuada de Gustavo Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência,
entre outras batidas de cabeça, como a que levou a trocas
no Ministério da Educação.
O segmento que mais confia em Bolsonaro, segundo o Ibope, é
o dos evangélicos: 56%. São eles também que mais aprovam a maneira de Bolsonaro
governar (61%). "A avaliação positiva também é mais alta entre os que se
autodeclaram como brancos (42%) — mesmo percentual que tem entre os que
vivem nas regiões Norte/Centro-Oeste — único segmento em que Bolsonaro se
recupera em relação a fevereiro", registra o instituto.

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