O ano de 2019 começou com uma certa apreensão em torno dos
rumos que o país iria tomar. Depois de mais de duas décadas de alternância da
presidência da República entre PSDB e PT, o eleitor resolveu trilhar um novo
rumo e escolheu para o comando do país um político ligado ao espectro mais
conservador, defensor da ditadura e de reconhecidos torturadores.
Havia o temor por ataques contra as instituições após uma
das campanhas mais acirradas dos últimos anos, marcada por discursos
exacerbados e pela disseminação de notícias falsas por ambos os lados.
Não demorou muito para que integrantes do governo e os
filhos do presidente gerassem uma série crises, principalmente por meio de
trocas de ofensas e ataques direcionados a Câmara, ao Senado e ao Supremo
Tribunal Federal.
Temendo que um movimento contra o governo pudesse tomar
corpo, como aconteceu no Chile e na Bolívia, autoridades do círculo próximo do
presidente chegaram a cogitar a reedição do AI-5, o abominável ato institucional
da ditadura militar que permitiu a adoção da censura, a cassação de mandatos e
a prisão, tortura e assassinato de opositores do governo.
Reagimos com firmeza. A democracia é patrimônio de uma Nação
e jamais podemos voltar a flertar com regimes autoritários e ditatoriais. Os
avanços de um país são construídos pela busca de consensos, pela harmonia entre
os poderes, e com a participação ativa da população nos debates. Jamais pela
imposição de um único polo de poder.
Coube ao Congresso evitar arroubos autoritários e ao Supremo
Tribunal Federal também se manifestar contra declarações e movimentos
antidemocráticos que vez por outra eclodiam pelos corredores do governo.
Muito se tentou nos últimos anos criminalizar a política,
essa atividade que nasceu junto com a humanidade. O caminho não é esse. Que se
puna os maus políticos e não se demonize a política.
O ano de 2019 também nos trouxe uma lição. Ódio e
intolerância não são bons companheiros. As diferenças, tão fundamentais para a
construção de uma sociedade mais justa e saudável, precisam ser respeitadas.
Não se muda um país por meio de batalha campal nas redes sociais e nas ruas,
onde vale desde a desqualificação do adversário até a propagação de mentiras e
promoção de campanhas de destruição de reputações.
O debate é necessário e saudável. Até mesmo os atores dessa
guerra de extremos, entre direita e esquerda, parecem, ao fim desse ano, ter
começado a entender que acima de interesses eleitorais e ideológicos está um
país que precisa urgentemente recuperar sua economia, retomar seu
desenvolvimento e gerar emprego e renda.
No Legislativo, continuamos, como sempre, vigilantes em
defesa da democracia, do combate à corrupção, da melhoria dos sistemas de
proteção social e das reformas.
* Rubens Bueno é deputado federal pelo Cidadania do Paraná.

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