De olho na reeleição, Bolsonaro toma gosto por palpites na economia
Para alguém que transformou em bordão o fato de não entender “nada de economia”, Jair Bolsonaro parece ter tomado gosto por dar palpites na área. Lançado precocemente à reeleição, o presidente mostra que, em muitos casos, seus interesses políticos se sobrepõem à cartilha liberal do governo.
A agenda permanente de campanha e o DNA populista tornam
Bolsonaro cada vez mais sensível às pressões de certos nichos do eleitorado.
O apoio do presidente a um ajuste generoso nas carreiras
militares, suas intromissões recorrentes no debate sobre os preços dos
combustíveis e a hesitação diante de reformas propostas pela equipe econômica
alimentam desconfianças sobre os rumos dessa agenda.
Sempre foi evidente que Bolsonaro era um liberal de ocasião.
Sem pauta própria na economia, ele aceitou terceirizar esse setor para Paulo
Guedes e alimentou uma contraposição com o estilo intervencionista de Dilma
Rousseff. Conseguiu, assim, surfar ainda mais no antipetismo que se tornou
marca de sua campanha.
Guedes recebeu carta branca para desenvolver um plano de
redução de privilégios e de enxugamento do Estado, mas os pitacos do presidente
se avolumaram no caminho.
Em abril, Bolsonaro demoliu a promessa de barrar
interferências políticas na Petrobras. Pressionado por caminhoneiros, o
presidente mandou a empresa congelar o custo do diesel. Nesta semana, voltou ao
assunto e disse que faria “o possível para baratear o preço do combustível”.
O presidente também refugou dias antes da apresentação da
reforma administrativa, em novembro, por temer a revolta de servidores contra
regras duras para suas carreiras. Guedes quer mudanças profundas, mas o chefe
já avisou que a proposta seria “a mais suave possível”.
Decidido a tentar um segundo mandato, Bolsonaro desvia com
mais frequência dos manuais do liberalismo para não pisar nos calos de seus
potenciais eleitores. Sem a reforma da Previdência pela frente, as tentações
políticas tendem a prevalecer.

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