Aumentou a “probabilidade de aceleração” do crescimento nos
próximos meses, sugere uma medida combinada de indicadores financeiros, de
produção industrial, do comércio exterior e de expectativas empresariais e do
consumidor.
Vai, racha ou ainda se arrasta? Uma aceleração pode ter
também consequências políticas mesmo em meados de 2020, ainda mais dada a
conformação gelatinosa dos pedaços da política brasileira recente.
“O cenário do Copom supõe que essa recuperação seguirá em
ritmo gradual”, escreveu a diretoria do Banco Central na exposição de motivos
da decisão de baixar a Selic na semana passada, no entanto (na Ata do Copom).
Isso parece significar que o crescimento do PIB deve passar aos poucos do ritmo
de crescimento de 1% ao ano para 2%. Mantido o ritmo do segundo e terceiro
trimestres até o final de 2020, a economia cresceria 2,2%, por exemplo.
Ainda assim, o pessoal do BC escreveu também na Ata que a
economia pode acelerar além da conta atual, dadas certas e novas condições da
economia: taxa básica de juros historicamente baixa, nova e crescente fonte de
financiamento da economia (mercado de capitais), menos crédito público
subsidiado, por exemplo. É uma hipótese, lá está claro, pois se desconhece como
funciona a economia neste novo regime (e, não está lá escrito, depois de meia
dúzia de anos de recessão e estagnação).
A medida que sugere a “probabilidade de aceleração nos
próximos meses” é o Indicador Antecedente Composto da Economia Brasileira
(IACE), publicado em parceria entre a FGV-Ibre e The Conference Board. É uma
combinação ponderada de taxa básica de juros no mercado para um ano, do desempenho
do Ibovespa, de expectativas de empresas da indústria e de serviços, de
confiança do consumidor, da produção de bens de consumo duráveis e de preços
relativos (termos de troca) e de quantidade de exportações brasileiras.
Pelos números recentes e a julgar pelo resultado passado do
efeito conjunto de tais indicadores, a economia parece estar no caminho da
aceleração. Mas a gente não tem como prever que os efeitos continuem os mesmos,
como de costume. Para dificultar a estimativa, temos esses fatos muito novos,
como a taxa básica real de juro em torno de 0,6% ao ano, ressalte-se, e a
configuração da economia depois de anos de ruína.
Para o Banco Central, traços de respostas para essas
questões vão indicar se a taxa de juros (Selic) vai cair de novo em fevereiro
de 2020 (próxima reunião para decidir sobre juros). Caso a economia cresça o
previsto ou até acelere, o clima político deve mudar, caso o governo de Jair
Bolsonaro não cause mais tumulto ou dê mais tiros no pé ou na orelha.
Não vai ser o “milagre do crescimento”. O desemprego
continuará muito alto. A distribuição do crescimento não deve ser favorável
para os mais pobres; não há dinheiro para fazer redistribuição, ao contrário.
Mas haverá beneficiados, mais gente vivendo algo melhor do que agora e menos
gente vivendo pior. Pode aparecer alguma percepção “pop” de que reformas e
despiora da economia têm algo a ver.
Seria uma situação que levaria um governo normal a atrair
aliados e fazer composições político-partidárias mais amplas. No caso de
Bolsonaro, difícil dizer, até porque em termos políticos o governo vive
voluntária ou involuntariamente no caos e do caos. Mas haveria condições para o
clima político mudar. Na direção de formação de alianças ou de ênfase em
“quebrar o sistema”?

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