Em que parte do
mundo já se viu um chefe de Estado sair a passear em plena pandemia de um vírus
desconhecido que mata a roldo? Em que parte se viu um abraçar pessoas podendo
ser contaminado por elas ou então contaminá-las?
Onde já se viu um
chefe de Estado desacreditar medidas de restrição social baixadas por
governadores e prefeitos e endossadas pelo Ministério da Saúde do seu próprio
governo? Os poucos que tentaram recuaram logo em seguida.
Pois é o que tem
feito o presidente Jair Bolsonaro desde que voltou dos Estados Unidos há pouco
mais de um mês trazendo uma dezena de acompanhantes infectados pelo coronavírus
e que, uma vez no Brasil, infectaram uma dezena ou mais de pessoas.
Em um país onde o
presidente da República manda muito, embora nem tanto quanto desejaria, ele é a
primeira referência dos governados. Natural que seja. O que diz é ouvido e
repetido, e o que faz libera a população para que faça também.
Bolsonaro sabe
disso, mas quando é conveniente finge não saber e banca o inocente. Se estimula
os brasileiros a abandonarem o confinamento e a retornarem às ruas, parte deles
o segue. Não é possível que ignore os efeitos perversos de sua atitude.
Hás mais de um mês
que o ministro Luiz Henrique Mandetta rendeu-se à orientação da Organização
Mundial da Saúde acolhida por todos os países assolados pelo vírus: fique em
casa. Circule o mínimo possível. Deixe para depois tudo o que possa.
O chefe de Mandetta
faz o contrário. No último dia 15, recepcionou em frente ao Palácio do Planalto
manifestantes ali reunidos para pedir o fechamento do Congresso e do Supremo
Tribunal Federal. Tocou com as mãos em mais de 250 deles.
Anteontem, foi a
uma padaria de Brasília tomar um refrigerante e comer um doce. Bem recebido por
uns, hostilizado por outros, provocou aglomerações, apertou a mão de
admiradores e foi embora assim que bateram as primeiras panelas.
Fez pior ontem.
Depois de uma escala no Hospital das Forças Armadas, saiu direto para uma
farmácia, atraindo gente. Visitou um dos filhos que aniversariava. E ao sair do
prédio com o nariz escorrendo, limpou-o com o braço e apertou mãos.
O que pretende com
isso? É uma pergunta que ele não responde, e quando o faz tergiversa. O que ele
consegue com isso? Que as pessoas, e não só as que o cumprimentam, se exponham
ao risco de se contaminar e de morrer.
Age como uma
espécie de exterminador do futuro de milhões de brasileiros. Não é muito
diferente do pastor americano James Warren “Jim Jones”, fundador e líder da
seita Templo dos Povos, que em novembro de 1978 promoveu um suicídio em massa.
No início dos anos
60 do século passado, Jim Jones esteve no Brasil porque julgava Belo Horizonte
um dos lugares mais seguros do mundo se houvesse uma guerra nuclear. Mudou-se
mais tarde para o Rio onde trabalhou durante alguns anos com favelados.
Mas foi em
Jonestown, capital da Guiana, que se sentindo ameaçado, convenceu seus devotos
a se matarem. Primeiro os pais mataram os filhos, envenenando-os com cianureto.
Depois beberam o veneno. Ao todo, morreram 918 pessoas.
Bolsonaro ainda não
mandou que ninguém tomasse veneno. Manda que não levem a sério um vírus que já
matou até ontem mais de mil brasileiros e infectou quase 20 mil. No mundo, em
100 dias, matou 100 mil pessoas. E, por aqui, o estrago mal começou…

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