Neste fim de
semana, escrevi um artigo sobre a cloroquina. Não sou médico, nem cientista.
Muito menos me interessa o debate ideológico em torno de uma substância
química.
Apenas formulei
algo sobre nossa experiência na luta contra a AIDS, a combinação de remédios
que resultou no coquetel, mais tarde tornado gratuito. E as consequências dessa
decisão: o debate internacional sobre patentes, os direitos das multinacionais
num momento de grande necessidade coletiva.
Neste sábado,
preocupa-me um pouco a situação da Amazônia. Parece que os hospitais de Manaus
chegaram ao esgotamento. O governo federal deve construir um hospital de
campanha para atender à demanda.
Não sei explicar
como as coisas avançaram tanto por lá. Vinte e seis casos por 100 mil
habitantes. É tempo de chuvas, muita umidade mas ao mesmo tempo calor: 30
graus.
Grande parte da
população é de origem indígena mas não sei se isso importa. Influenzas e HN1
circulam por lá normalmente.
Em Roraima, morreu
um índio yanomami de apenas 15 anos. Ele não foi atendido em Boa Vista e teria
voltado para a aldeia em busca de ajuda do xamã. Se isso aconteceu mesmo, pode
ter contaminado os outros.
Os índios tem pouco
anticorpos para certas doenças. É histórica a destruição das tribos pelas
doenças contraídas no contato com os brancos.
Nesse momento, não
só o desmatamento e o garimpo avançam em toda a região amazônica. Desmatadores
e garimpeiros não fazem quarentena.
Mas é momento de
vulnerabilidade. Quase todos os recursos, inclusive os que ainda não temos, são
canalizados para a combater a pandemia. Os olhos estão voltados para esse tema
e os órgãos de comunicação só falam nele.
Não estávamos
preparados para uma epidemia dessa dimensão. Nem países ricos como Estados
Unidos ou França. Assim que passar a fase mais aguda, certamente, vamos
discutir a retomada da vida cotidiana. Mas haverá um espaço também para debater
nossa vulnerabilidade.
Considero-a
evidente na dependência de equipamentos médicos, insumos e remédios do exterior.
Mas o longo desgaste do mundo politico enfraqueceu os laços de liderança. É
difícil obter um comportamento coletivo mais integrado, instrumentos que países
como a Suécia e o Japão utilizam bem. A própria Inglaterra com a presença da
Rainha tenta preencher esse espaço que a política perdeu.
Usarei o sábado par
ver o final do filme de Roman Polanski O Oficial e o Espião. Grandes atores,
quase todos da Comédie Française, quase todos velhos, ou como chamamos hoje
quase todos do grupo de risco.
Domingo voltamos à
crise de cada dia.

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