Os partidos, por meio dos seus representantes, sabem onde lhes apertam os calos. Cada um tem mais filiados enrolados com a justiça. Todos dependem da boa vontade dos juízes que têm a força para selar o seu destino. A Justiça Eleitoral, mas não só, é contra a volta do voto impresso. Então por que contrariá-la?
É menos arriscado contrariar Jair Bolsonaro que defende a volta do voto em cédula. Tanto mais porque ele, hoje, é um presidente enfraquecido – perde para Lula nas pesquisas de intenção de voto, e acaba de ser atingido pela denúncia de que acobertou a compra superfaturada da vacina indiana Covaxin.
Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, antecipou a Bolsonaro as dificuldades para aprovação no Congresso de emenda à Constituição que troca o voto eletrônico pelo impresso. Na Câmara, com um esforço hercúleo, ela até poderia passar, mas custaria caro. No Senado, dificilmente passaria.
Foi o que se confirmou ontem. Onze presidentes de partidos, mais da metade deles que apoia o governo, reuniram-se em videoconferência e disseram ser a favor da manutenção do voto eletrônico. Os onze partidos: PSDB, MDB, PP, DEM, Solidariedade, PL, PSL, Cidadania, Republicanos, PSD e Avante.
O mais longo dos dias para Bolsonaro, que começou na última quarta-feira 23 por obra e graça dos irmãos Miranda, está muito longe de terminar.
Afinal, os irmãos Miranda gravaram sua conversa com Bolsonaro?
Luis Miranda, o deputado, sugere que a gravação existe. Pode ser blefe. Mas se não for, o destino do presidente está em suas mãos
Pergunta de 1 bilhão de dólares (ou muito mais) que teima em ser feita: os irmãos Miranda, o deputado federal do DEM Luis Miranda, e o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo, gravaram ou não a conversa que tiveram com o presidente Jair Bolsonaro em 20 de março último no Palácio da Alvorada?
Durante semanas, Miranda, o deputado, tentou, em vão, reunir-se com o presidente. Só conseguiu naquele sábado depois que disse a um auxiliar de Bolsonaro possuir documentos capazes de derrubar o governo. O resto é história conhecida. Só não se sabe, e o deputado faz mistério a respeito, é se a conversa foi gravada.
Em entrevistas concedidas ontem, Miranda insinuou que pode haver gravação da conversa. Numa delas chegou a dizer: “Não estamos mentindo e não há por que mentir, mas se forçar demais a gente certamente tem como mostrar a verdade e de um jeito que vai ficar muito ruim para o presidente. Ele sabe a verdade”.
Pode ser blefe de um deputado com uma longa folha corrida de processos. Mas se não for? Bolsonaro vai pagar para ver? Miranda é esperto, com apurado senso de timing. Em depoimento à CPI da Covid, primeiro negou-se a dar o nome citado por Bolsonaro como implicado na compra superfaturada da vacina Coaxim.
Os senadores passaram o resto do tempo cobrando para que desse o nome, e ele respondia, sem convencer, que o esquecera. Pressionado por último pela senadora Simone Tebet (MDB-MS), cedeu e revelou: Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara dos Deputados. Convenhamos: foi um “grand finale”!
Se não existir gravação, Miranda se protege só por sugerir que ela existe, e protege seu irmão, servidor público concursado. Se existir, o destino de Bolsonaro está em suas mãos.

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