domingo, 5 de junho de 2022

KASSIO NUNES MARQUES SABE O QUE FAZ

Elio Gaspari, Folha de S.Paulo

Quando a liminar concedida pelo ministro Nunes Marques em favor do deputado Fernando Francischini for derrubada pelo plenário do Supremo Tribunal, ele terá consolidado o seu isolamento na corte. Para seus inimigos, o episódio soará como uma vitória. Para ele, pouco importará.

Até o fim do governo de Bolsonaro, Nunes Marques tem uma preocupação principal: interferir na nomeação de magistrados ou bloquear pretensões.

Ele já expôs a sua doutrina, inspirada na frase do treinador Zagallo ("vocês vão ter que me aturar"), pois só deixará o tribunal em 2047.

O ESTILO DE ROSA WEBER

Em setembro, a ministra Rosa Weber assumirá a presidência do Supremo Tribunal Federal. Com ela virá um novo estilo.

Como a ministra já comunicou a uma delegação de guildas do Judiciário, suas portas estarão abertas, mas não enfeitará eventos com discursos. Fará jus ao apelido que puseram no seu gabinete: Coreia do Norte, pois de lá não saem notícias.

BICENTENÁRIO

Felizmente, foi para o ralo a ideia de maquiar o velho Museu Nacional, transformando-o num centro turístico dedicado à família imperial, que viveu no casarão até 1889.

As comemorações do Bicentenário da Independência giraram em torno da magnífica recuperação do Museu do Ipiranga, em São Paulo.

O atual governo só conseguiu marcar presença na área cultural com iniciativas destruidoras, e o Bicentenário passará por baixo de suas pernas.

Com falta de imaginação, surgiu um projeto para se trazer ao Brasil, emprestado, o coração de d. Pedro 1º que está numa igreja da cidade do Porto. Seria uma reedição da patriotada de 1972, quando a ditadura repatriou os restos do primeiro imperador, colocando-os numa cripta do Museu do Ipiranga.

Trinta anos depois a entrada da cripta tinha virado mictório de notívagos.

Durante a ditadura o governo Médici patrocinou diversas iniciativas acadêmicas relevantes. Agora, nem isso.

HÁ 200 ANOS

Em junho de 1822, há 200 anos, José Bonifácio obteve do príncipe d. Pedro a primeira lei de arrocho na imprensa.

Um ano depois estava fora do governo e fundou seu próprio jornal, atacando d. Pedro. Em novembro de 1823, foi preso e deportado.

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