quinta-feira, 28 de julho de 2022

ACROBACIA FISCAL

Editorial Folha de S.Paulo

É verdade que houve um crescimento surpreendente da coleta de impostos. Conforme as estimativas do Tesouro, a receita líquida do governo federal, descontadas as transferências para estados e municípios, terá um acréscimo de R$ 130 bilhões em relação às projeções de dezembro, quando a lei orçamentária foi aprovada.

Boa parte disso, contudo, decorre da inflação, que também terá consequências para as despesas. O aumento nos gastos previstos para este ano já soma R$ 42 bilhões. Correções de pensões, aposentadorias e benefícios sociais, além do represamento dos salários do funcionalismo, ampliam pressões futuras.

Embora o governo ainda projete um déficit primário de R$ 59 bilhões, sem contar as despesas com juros, não se descarta a possibilidade de fechar as contas do ano com um pequeno superávit, que seria o primeiro em oito anos.

Ainda assim, a análise da situação não pode ignorar o contexto mais amplo, que inclui o impulso provavelmente efêmero da inflação para as receitas e os pagamentos de juros, que sobem junto com a taxa básica definida pelo Banco Central.

Gestores prudentes adotariam moderação nos gastos e aproveitariam o aumento de receitas agora para construir uma trajetória declinante para a dívida pública, reduzindo os riscos à frente. O benefício seria obter juros menores e sustentabilidade para o crescimento da economia e a geração de empregos, desafio que precisará ser enfrentado seriamente no ano que vem.

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