domingo, 21 de agosto de 2022

TARCÍSIO PROCURA VENENO

Elio Gaspari, Folha de S.Paulo

Tarcísio de Freitas foi um aluno estelar no Instituto Militar de Engenharia, passou pelo Ministério da Infraestrutura de Bolsonaro sem se misturar com maluquices e é candidato a governador de São Paulo.

Com uma biografia dessas, parece estar numa farmácia procurando cápsulas de veneno.

Defendendo sua candidatura diante da maledicência que, por ser carioca, o qualifica como forasteiro, disse o seguinte: "Vai precisar um cara de fora de São Paulo chegar aqui e concluir o Rodoanel. Vai precisar de um cara de fora de São Paulo chegar aqui e fazer o metrô andar. Vai precisar de um cara de fora chegar aqui e levar a sério a questão do saneamento básico, da despoluição do rio Tietê, do Pinheiros".

Esqueceu-se de quem vive e vota em São Paulo.

Poderia ter dito que foi a turma de fora que ajudou a construir o estado. Em 1886, um em cada quatro moradores da cidade de São Paulo era estrangeiro.

Nessa época trabalhava como pedreiro o avô italiano do professor Delfim Netto e vivia em Campinas um bisavô alemão de Jair Bolsonaro. Na leva seguinte, o pai de Lula, vindo de Pernambuco, carregava sacas de café em Santos. Em 1952 foi o próprio Lula quem chegou. Ele era um dos 250 mil migrantes daquele ano.

Nenhum estado brasileiro precisa de forasteiro-salvador.

DE NOVO, O SINAL DE MINAS

Depois da pesquisa do Ipec veio a do Datafolha e repetiu-se o sinal de Minas Gerais. Lá, onde o governador Romeu Zema afastou-se de Bolsonaro, e disputa a reeleição, tem 47% das preferências, contra 23% de Alexandre Kalil.

Em Minas, Lula tem a maior vantagem sobre Bolsonaro, 49% x 29%, entre os três maiores colégios eleitorais.

Se em 2018 o prefixo Bolso ajudava candidatos como João Doria, em 2022 é a sua ausência que se manifesta eficaz.

Elio Gaspari  - Jornalista, autor de cinco volumes sobre a história do regime militar, entre eles "A Ditadura Encurralada".

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