Em papel de destaque no PT após as eleições municipais
deste ano, ministro da Educação, diz que sigla precisa pensar no pós-Lula
Considerado um vitorioso das eleições municipais, o ministro
da Educação, Camilo Santana (PT), evita se colocar como um candidato a sucessor
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Camilo indica que o PT não está
preparado para a aposentadoria do seu principal líder e alerta que o partido
precisa se preparar para formar novos quadros.
Nas eleições deste ano, Camilo foi o cabo eleitoral da
principal vitória petista: Evandro Leitão foi eleito em Fortaleza (CE), o único
prefeito do partido entre as capitais. Para aliados, a vitória empoderou o
ministro, cujo trabalho é considerado positivo por Lula. Em entrevista ao
Estadão, na última quarta-feira, Camilo afirmou que sua missão é no Ministério
da Educação, mas deu recados ao partido.
“Acho que ninguém está preparado para
aposentadoria de Lula”, afirmou. “Ele muitas vezes passa mais energia do que
muita gente nova, mas é claro que o partido precisa se preparar e precisa
construir novas lideranças municipais, estaduais e nacionais, novos quadros.”
Na última eleição, o PT ampliou o número de prefeituras em
relação a 2020, passando de 183 para 252 neste ano. O partido, no entanto,
perdeu espaço em locais de grande influência, como Araraquara, governada por
Edinho Silva (PT), um dos petistas mais próximos de Lula.
Nesse contexto, o ministro da Educação defende que o partido
se volte para suas bases e tente compreender o movimento do eleitor. Diz ainda
que o próximo presidente da sigla deve ter a missão de aproximar o partido do
eleitor.
‘AUTOCRÍTICA’. “O PT teve uma estratégia
diferente da última eleição, em 2020, resolveu apoiar muitos candidatos de
outros partidos. Isso é um ponto importante a ser avaliado. Outro ponto é que
onde o PT lançou o candidato perdemos um número muito grande de municípios,
principalmente em alguns estados, como o Estado de São Paulo. É preciso ser
feita uma autocrítica para entender o comportamento do eleitor em relação aos
candidatos do PT, da esquerda, da centro-esquerda”, disse.
Em São Paulo, o PT nas urnas teve o pior resultado de sua
História, com apenas quatro prefeituras: Mauá, na região do Grande ABC, e
Matão, Santa Lúcia e Lucianópolis, no interior.
‘EXPECTATIVAS’. Camilo Santana diz que o partido
precisa se adaptar à nova realidade política e que as aspirações dos jovens
mudou. “A realidade de dez, 20 anos atrás é muito diferente da realidade de
hoje, o PT precisa entender que o momento é outro. Não é a mesma juventude de
antes do Lula, que não tinha universidade, poder aquisitivo. A juventude de
hoje, com 18 anos, não viveu essa época. Então a expectativa dessas pessoas
também são outras.”
O ministro desconversa sobre possibilidade de vir a se
lançar como uma opção futura do PT para a Presidência. “Eu nunca sonhei em ser
governador do meu Estado. Aliás, nunca imaginei ser. Sonhar, sonhava. Eu sou
muito grato ao presidente, é uma honra ter sido convidado para o Ministério da
Educação. O único pensamento que tenho é dar minha contribuição. Para mim, o
nosso candidato à reeleição é o presidente Lula”, disse.

Nenhum comentário:
Postar um comentário