A pressão do “mercado” sobre o governo para que faça corte
de gastos em recursos voltados para as parcelas mais pobres da população
atingiu seu ponto máximo nos últimos dias, com um ataque especulativo que fez
o dólar chegar
à cotação da história. Diante disso, esperava-se que o Banco Central atuasse
contra a alta, como sempre faz. A instituição comandada por Roberto Campos Neto
nada fez.
Diante do anúncio dos cortes, feito em rede nacional pelo
ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a especulação, ao invés de arrefecer, se
intensificou. O Banco Central continua sem agir.
“BC de Campos Neto não fez nada para conter a especulação
desencadeada desde ontem que já levou o dólar a R$ 6”, escreveu no X a
presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann, nesta quinta-feira (28). “A Fazenda
já esclareceu que a isenção de IR até R$ 5 mil será vinculada à nova alíquota
para quem ganha mais de R$ 50 mil por mês, sem prejuízo para a arrecadação. Era
obrigação da ‘autoridade monetária’ intervir no mercado contra a especulação
desde seu previsível início, com leilões de swap, exigência de depósitos à
vista e outros instrumentos que existem para isso. É um crime contra o país”.
Nas redes sociais houve uma enxurrada de postagens lembrando
como o BC fez intervenções frequentes para tentar segurar a cotação do dólar
durante a gestão de Jair Bolsonaro, aliado político de Campos Neto. Somente em
uma delas, em abril de 2020, queimou US$ 7 bilhões em três dias.
Na disparada atual da moeda americana, a instituição não dá
sinais de que irá agir.
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, também criticou Campos
Neto. “Estamos em contagem regressiva para ter, não um Banco Central que seja,
que tenha um olhar para o Executivo, mas um Banco Central que tenha um olhar
para o Brasil. Dirigido por quem mora no Brasil, e não em Miami”, disse, nesta
quinta-feira (28).
Ao falar do exterior, Costa remete indiretamente a outra
incompatibilidade de Campos Neto com o cargo que ocupa, além da preferência
pelo bolsonarismo: ter milhões investidos em renda fixa e em offshores em
paraísos fiscais, algo que o faz beneficiário da alta do dólar.
Além disso, o atual presidente do BC já classificou pequenos
investidores como rentistas (quando os grandes banqueiros, os verdadeiros
rentistas, são favorecidos por sua atuação) e lamentou que o Brasil viva um
tempo de pleno emprego, porque isso, segundo diz, encarece a mão de obra.
Pelo que se vê, o bem-estar do Brasil e dos brasileiros
comuns não é nem de longe uma preocupação para Campos Neto.

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