Para defender réus do 8 de Janeiro, Rogério Marinho mente
sobre Dilma e Míriam Leitão
Rogério Marinho diz que Dilma e Míriam Leitão assaltaram
bancos, o que não é verdade
O senador Rogério Marinho, do PL do Rio Grande do Norte, já
deu uma mostra de como será o jogo da extrema direita para tentar anistiar os condenados pelos atos de 8 de Janeiro. Em menos de um minuto numa entrevista
à CNN nos corredores do Senado, ele ressuscitou duas fake news, afirmando que
Dilma Rousseff e a jornalista Míriam Leitão foram anistiadas depois de
assaltarem bancos.
“A Dilma Rousseff, ela assaltou um banco. A Míriam Leitão da
mesma forma. O Gabeira, nosso amigo Gabeira, ele foi processado por sequestro.
Crimes de morte foram perdoados. José Dirceu. José Guimarães. Brizola, que já
faleceu. Arraes. Todos eles foram perdoados. Foram anistiados, reincorporados à
vida pública”, disse o senador.
Míriam Leitão foi presa e torturada por integrar o PCdoB em
1972. Nunca recebeu anistia. A ex-presidente Dilma Rousseff, também torturada,
foi presa em 1970 por participar de grupos de esquerda e nunca militou na luta
armada. Não há, em seu documento de prisão, nenhuma informação sobre armas.
Passou cerca de dois anos na prisão em São Paulo, depois de longas sessões de
tortura.
A Lei da Anistia a que o senador se refere, de 1979, serviu
tanto aos presos políticos —muitos deles que já tinham cumprido suas penas—
quanto aos militares e agentes da tortura e da repressão. Todos esses agentes,
quando denunciados por crimes de tortura, prisão ilegal, assassinato, sequestro
e desaparecimento forçado de militantes, têm se amparado nessa lei para
seguirem impunes.
Em nota, Marinho retirou as afirmações sobre Míriam Leitão,
mas manteve as demais. Leia a nota enviada à coluna:
“Na entrevista concedida à CNN na data desta sexta-feira
(31), a afirmação de que Míriam Leitão foi condenada e anistiada estava
equivocada. Com relação aos demais citados, que foram condenados por crimes,
reiteramos que foi a anistia o instrumento que permitiu a pacificação do país
naquele momento e que deve, novamente, servir ao mesmo propósito.”

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