A ordem estabelecida e proclamada como universal pelos
países ocidentais se encontra em momento crítico, alerta Henry Kissinger, e os
brasileiros estão debruçados na janela vendo o mundo passar
Os pilotos do fabuloso B-2 Spirit voaram por meio mundo por
quase 40 horas, abastecido em pleno ar, atravessaram mares e continentes numa
altitude de 45 mil pés. Perto do alvo, baixaram para 30 mil pés, liberaram duas
bombas de altíssimo poder destrutivo, de várias toneladas cada uma, que não
erram o alvo, em seguida fizeram a volta e retornaram para a base no estado do
Missouri, território norte-americano. Puderam jantar em casa com a família, ver
filmes na televisão e, depois, dormir. Suas mãos não estão sujas de sangue. As
defesas do Irã sequer perceberam a chegada dos atacantes. Só entenderam os
ataques depois que as bombas explodiram.
Essa é a guerra moderna. O governo dos Estados Unidos deu um recado direto e
fulminante para Rússia, China, Irã, Israel e outros governos que se
julguem capazes de desafiar o poderio do grande irmão do norte. A diplomacia de
Washington abriu o jogo: seu poder reside na força de seus exércitos. Apenas um
porta-aviões norte-americano tem mais poder de fogo que todos os exércitos
latino-americanos juntos. E os Estados Unidos mantêm 11 porta-aviões operando
em todos os mares do planeta. Sem mencionar as dezenas de submarinos nucleares
armados com ogivas atômicas. A guerra é o exercício da política por outros
meios, disse Clausewitz, no seu clássico Da guerra. Nos tempos atuais, com a
ascensão de Trump, a diplomacia é apenas demonstração de força. Acabou a
conversa. O mundo retrocedeu ao faroeste norte-americano.
O Brasil, embora situado na esquina do
mundo, sente as consequências do conflito no Oriente Médio. Judeus e árabes não
se entendem desde que a ONU decidiu reconhecer a existência do estado de Israel
na Palestina, que pertencia ao mandato britânico. As primeiras ações promovidas
pelos judeus foram feitas pela instituição chamada Haganah, que funcionou como
força terrorista para enfraquecer e derrubar o controle inglês na área. Essa
instituição é a base de outra moderna e atual chamada Mossad. O problema é deles,
mas as consequências se refletem aqui. O preço do petróleo dispara, eleva a
inflação interna e a comunidade de informação norte-americana passa a
fiscalizar a região da tríplice fronteira na região de Foz de Iguaçu, no
Paraná. Há uma enorme colônia árabe naquela área.
Parlamentares norte-americanos insinuam tomar para seu país
o excedente de energia da Hidrelétrica de Itaipu para alimentar sua
inteligência artificial (IA). É o mesmo raciocínio que autoriza o presidente
dos Estados Unidos a querer dominar a Groenlândia, o canal do Panamá e o
Canadá. Fotografia dos tempos atuais. O presidente Lula, infelizmente, vive nas
próprias nuvens. Ele mantém um discurso populista, datado, dos anos sessenta.
Viaja pelo mundo sem propósitos específicos. Não conseguiu trazer nenhum benefício
concreto para o país. O acordo com a União Europeia continua no território das
suposições. Os brasileiros estão debruçados na janela vendo o mundo passar.
O mundo viveu um ambiente de relativa acomodação durante o
final da Segunda Guerra Mundial e o início do século 21. A globalização
estreitou relações comerciais entre países, criou novas cadeias de
fornecimento, modificou as relações de emprego, enriqueceu alguns países e
reduziu a pobreza. Mas, esse ciclo terminou. Henry Kissinger diz isso no seu
formidável Ordem mundial (editora Objetiva). "No mundo da geopolítica, a
ordem estabelecida e proclamada como universal pelos países ocidentais se
encontra em momento crítico. Os remédios para seus problemas são compreendidos
globalmente, porém não existe consenso sobre sua aplicação".
A política provinciana prevaleceu no Brasil nos últimos
tempos. O desaparecimento de partidos com algum comprometimento com o
desenvolvimento e a democracia nacional, a exemplo do PSDB e PFL, abriu o
caminho para maior atuação de lobbies no Congresso Nacional e colocou em
posição de mando no governo personagens pouco instrumentados para exercer as
responsabilidades que as funções administrativas exigem. A questão não está no
tamanho de eventual deficit do Tesouro Nacional. Mas porque e para que esse resultado
é construído.
No final da Segunda Guerra Mundial, o endividamento da
Inglaterra era de 250% de seu produto interno bruto. O problema foi resolvido
com objetividade e trabalho. Os brasileiros souberam acabar com a explosiva
dívida externa, nos anos 1980, sem fazer barulho. Apenas com conversa e
negociação. A ascensão dos caipiras só se justifica porque o país está no
período de festas juninas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário